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quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Rússia teria testado seu avançado sistema antiaéreo S-500 no Ártico contra alvo hipersônico

 


A Rússia realizou novas provas de seu sistema antiaéreo S-500 na zona ártica, assegurou à Sputnik uma fonte militar nesta quarta-feira (29).

"O lançamento do míssil de longo alcance foi realizado contra um alvo hipersônico, que foi destruído com sucesso", contou a fonte.

Foi ainda detalhado que "não estão planejados ensaios do outro sistema S-550 na perspectiva mais próxima, uma vez que ainda não foram criados protótipos de teste, o desenvolvimento está em andamento".

O S-500 Prometey, com o míssil Triumfator-M, é uma nova geração de sistemas antiaéreos. É um sistema universal de longo alcance, até 600 quilômetros, e de interceptação em grande altitude com potencial aumentado da defesa antimíssil.

De acordo com informação divulgada anteriormente por fontes à Sputnik, o sistema S-550 está sendo elaborado como uma versão do S-500 e será especializado em tarefas de defesa antimíssil e antiespacial.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Buscando novas fontes energéticas, Rússia toma 'impulso nuclear' para minerar no Ártico, diz portal

 


Quando a Rússia anunciou que estava trabalhando em uma usina nuclear flutuante, há vários anos, alguns viram a ideia com muito ceticismo e muitos críticos a avaliaram como uma ideia ruim. Porém, a "ideia ruim" está operando com sucesso desde 2019.


Akademik Lomonosov é hoje uma fonte de energia confiável sob uma impressionante obra de engenharia em um terreno difícil para se produzir energia.
Localizada próximo da cidade de Pevek, em Chukotka, uma região autônoma na parte norte do Extremo Oriente da Rússia, a usina está próxima de um território cheio de ouro, cobre e lítio, entre outros metais.
No início da semana passada, o Financial Times (FT) escreveu sobre como a Rússia estava alimentando suas ambições no Ártico com energia nuclear, dentre elas o uso da abertura da Rota Marítima do Norte devido às mudanças climáticas, e também a exploração de suas riquezas metálicas e minerais.

Chukotka é rica em reservas de lítio e, embora seja uma difícil tarefa determinar a quão rica é, pode ser o suficiente para valer a pena desenvolver a exploração.
Ainda segundo o artigo da FT, a Rússia possui depósitos de lítio no leste da Sibéria e Yakutia, também no Extremo Oriente, e tem planos de se tornar fonte de 3,5% do lítio mundial até 2025.
Floating nuclear co-generation plant (FNCP) “Akademik Lomonosov” - Sputnik Brasil, 1920, 06.12.2021
Floating nuclear co-generation plant (FNCP) “Akademik Lomonosov”
Se observarmos a atual situação energética do planeta, a demanda por cobre deve disparar nos próximos anos. O metal é a escolha padrão para fiação elétrica graças à sua excelente condutividade e também é usado em quantidades significativas na geração, transmissão e distribuição de energia, incluindo turbinas eólicas e instalação de coletores de energia solar.
O cobre também é usado abundantemente em veículos elétricos, que contêm até quatro vezes mais cobre que os carros com motores de combustão interna, que usam cerca de 20 quilos do metal.
De acordo com a BloombergNEF, a demanda pelo cobre deve crescer uns incríveis 1.000% entre 2020 e 2030.
O fato é que Moscou já não está mais de olho nos preços dos combustíveis, ou em como o gás natural na Europa tem escalado em valor. Seus esforços hoje estão voltados para novas alternativas minerais, no "petróleo do amanhã".
Iceberg near Hooker Island, Franz Josef Land, Russia - Sputnik Brasil, 1920, 03.12.2021
Sociedade e cotidiano
Rússia reporta desaparecimento de uma das penínsulas em seu território no Ártico


A demanda esperada para a maioria dos metais básicos e certos minerais considerados críticos para a transição energética, como o cobalto, por exemplo, vai aumentar, o que faz do Ártico uma espécie de mina de ouro. Outro grupo de minerais conhecido coletivamente como terras raras também desperta uma forte motivação na Rússia. Sendo este país detentor da maior parte da região, o plano de desenvolvimento russo aposta no grande interesse mundial por esses recursos.
Segundo a Oilprice empresa por trás da Akademik Lomonosov, a Rosatom, planeja construir mais cinco usinas nucleares flutuantes, todas para abastecer projetos de mineração. Preferida pelo Kremlin, a opção nuclear superou a ideia da Novatek de se usarem usinas movidas a gás, e ao todo as cinco custarão aos cofres russos cerca de US$ 2,2 bilhões (aproximadamente R$ 12,5 bilhões).

"A Rússia deve se expandir pelo Ártico, pois é aqui que estão seus principais recursos minerais", disse o presidente Vladimir Putin em 2017, assegurando desde então de que haja progresso na busca desse objetivo.

"A economia mundial visa uma transição gradual para a energia de baixo carbono, e esta já é uma nova realidade", disse o primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin, no início deste ano. "É preciso nos prepararmos para uma redução gradativa do uso de combustíveis tradicionais: petróleo, gás, carvão. [É preciso] melhorar a eficiência energética, desenvolver energias alternativas, construir infraestrutura adequada", disse Mishustin.
O mundo pós-combustível fóssil é uma realidade e, muito provavelmente, os hidrocarbonetos que abasteceram o mundo pelos últimos 200 anos serão substituídos por metais e minerais. Nesta corrida, a Rússia sai na frente. E com tamanho acesso às fontes destes recursos, com certa vantagem de mercado.

domingo, 3 de outubro de 2021

EUA estão ficando para trás de Moscou no Ártico, dependendo de petróleo russo, diz especialista

 


Desde a anterior administração Trump, a Casa Branca tem perseguido o objetivo de desafiar a presença da Rússia no Ártico, tornando esta meta uma das prioridades do governo.

No entanto, enquanto Washington tem investido tempo e dinheiro para aumentar sua presença militar na região, aparentemente os EUA não conseguem acompanhar Moscou economicamente.

EUA estão ficando para trás em relação à Rússia no Ártico, o que faz com que Washington se torne dependente das vendas de petróleo de um país ao qual tem, por tantas vezes nos últimos anos, imposto sanções energéticas, afirmou Thomas Emanuel Dans, ex-comissário da independente Comissão de Pesquisa do Ártico dos EUA (USARC, na sigla em inglês), em um editorial no jornal The Hill.

Dans salientou que a Rússia se tornou o segundo maior fornecedor de petróleo bruto para os EUA, fornecendo o dobro do petróleo que os americanos extraem do Alasca – um dos estados mais ricos nesse recurso. Em apenas único mês, junho de 2021, Washington comprou 25 milhões de barris de petróleo russo, e desde que Biden assumiu o cargo as vendas mais do que dobraram.

Tanto EUA como Rússia estão presentes no Ártico, o que não se limita apenas a questões militares. Esta zona tornou-se o foco central de Washington durante a anterior administração liderada por Donald Trump. No entanto, de acordo com Dans, é Moscou que tira o máximo partido da referida região.

Ártico. Distrito Autônomo de Iamalo-Nenets, na Rússia.
© AFP 2021 / ANDREY GOLOVANOV
Ártico

O ex-comissário traça paralelos entre as atividades e políticas russas e americanas no Ártico. Tendo enfrentado sanções contra o seu setor energético que proibiam a aquisição de tecnologias estrangeiras para perfuração e extração de gás e petróleo em regiões de difícil acesso como o Ártico, a Rússia investiu na criação de suas próprias. Ao contrário dos EUA, Moscou também tem uma enorme frota de quebra-gelos, tanto convencionais como nucleares. Como resultado, a indústria energética russa no Ártico está crescendo e trará enormes lucros ao país em um futuro próximo através de vendas de gás natural liquefeito (GNL), acredita especialista.

Por outro lado, o Alasca não está prosperando, apesar das recentes descobertas de novos depósitos de recursos, incluindo petróleo e gás. Em vez disso, o estado dos EUA está enfrentando dificuldades para cobrir déficits no orçamento, preenchido na maior parte pela venda de hidrocarbonetos. O Alasca tem que gastar seus fundos de reserva para subsidiar os altos custos de vida no Ártico, ressalta Dans.

"Com a independência energética dos EUA se desvanecendo no espelho retrovisor, os legisladores políticos têm de acordar [e pensar] sobre como proteger os interesses de segurança nacional", disse Dans, referindo-se à crescente dependência do país em relação ao petróleo russo.

Anteriormente, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi anunciou que o país planeja ajudar a Rússia no desenvolvimento da Rota Marítima do Norte e na sua transformação em uma artéria comercial internacional.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik


terça-feira, 3 de agosto de 2021

Marinha dos EUA: para Ártico não se tornar contestado é preciso colaboração, 'mesmo com os russos'

 


A Marinha norte-americana sugeriu que os EUA aumentem sua presença e realizem parcerias internacionais no Ártico, particularmente com a Rússia, que está "reforçando" exercícios regionais.

É necessário que Washington desenvolva parcerias no Ártico para assegurar que a região não se torna uma zona disputada, afirmou na segunda-feira (2) Andrew Lewis, vice-almirante e comandante da 2ª Frota da Marinha dos EUA, durante a Exposição Mar-Ar-Espaço de 2021 da Liga da Marinha.

"O Ártico é uma área de colaboração, mas só permanecerá uma área de colaboração se continuarmos construindo essas relações, mesmo com os russos. Temos que trabalhar juntos porque o ambiente é muito, muito desafiador [...] e o ambiente está mudando", disse Lewis, que também chefia o Comando de Forças Conjuntas Norfolk da OTAN, em referência às mudanças climáticas na área do polo Norte.

Para isso, o militar sugeriu que os EUA aumentem sua presença na região.

"[...] Se não estivermos presentes lá, e se não continuarmos construindo essas parcerias, será um espaço contestado", disse Lewis, apontando que, se os norte-americanos não marcarem presença, eles cederão o espaço "aos russos ou a alguém diferente".

A força norte-americana planejada para operar no Ártico é a Guarda Costeira, mas é possível realizar parcerias por outros ramos militares ou navais, referiu Andrew Lewis. Atualmente, a Guarda Costeira dos EUA colabora estreitamente com as 2ª, 3ª e 5ª Frotas da Marinha do país.

Em janeiro de 2021, a Marinha dos EUA publicou uma estratégia para o Ártico, fixando como um dos objetivos "operar mais assertivamente" na região devido à Rússia estar "reforçando" os exercícios regionais, o mesmo se aplicando à China, que nas "próximas décadas" aumentará sua atividade naval "nas águas do Ártico".

Os EUA têm intensificado sua presença no Ártico nos últimos anos. O porta-aviões Harry S. Truman operou no mar da Noruega em 2018, sendo a primeira vez que um navio norte-americano desse tipo esteve no Ártico desde 1991. Além disso, em maio de 2021, quatro embarcações da Marinha norte-americana navegaram no mar de Barents, entre a Noruega e a Rússia, a primeira vez que um navio de superfície dos EUA entrou neste mar desde meados dos anos 1980.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Como rota marítima no Ártico russo pode se tornar 'centro das atividades' do transporte global?

 


O incidente com o cargueiro Ever Given, que ficou atravessado no canal de Suez, ilustrou a necessidade de desenvolver uma rota marítima no Ártico. A Sputnik explica como esta via pode se tornar praticável, bem como suas perspectivas.

No dia 23 de março, o cargueiro Ever Given, de 400 metros de comprimento, 59 metros de largura e 60 de altura, operado pela empresa Evergreen Marine de Taiwan, bloqueou o canal de Suez, após ventos fortes terem empurrado a embarcação diagonalmente na via navegável.

Na ocasião, mais de 300 embarcações ficaram em uma fila de espera em ambos os lados da hidrovia artificial, aguardando para entregar suas cargas da Europa à Ásia e vice-versa. O bloqueio do tráfego marítimo, que durou seis dias, gerou um custo total de aproximadamente US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bilhões), segundo o almirante Osama Rabie, chefe da Autoridade do Canal de Suez.

Importante rota marítima

O canal de Suez é uma importante via artificial navegável para o transporte global leste-oeste, construída no território egípcio, sendo a única maneira de passar do mar Mediterrâneo ao mar Vermelho e depois ao oceano Índico.

Atualmente, cerca de 12% do comércio mundial, aproximadamente um milhão de barris de petróleo e em torno de 8% do gás natural liquefeito fluem diariamente através da hidrovia.

Em 2015, o governo do presidente Abdel Fattah al-Sisi concluiu uma grande expansão do canal, inaugurado em 1869, permitindo-lhe acomodar os maiores navios do mundo.

Necessidade de uma alternativa

O bloqueio do canal de Suez evidenciou a vulnerabilidade da rota usada para o transporte de mercadorias, fazendo com que o mercado logístico global voltasse sua atenção para rotas alternativas, sendo que uma delas é a Rota Marítima do Norte.

A Rota Marítima do Norte, que passa ao longo do litoral setentrional russo, conectando o Atlântico ao Pacífico, é um dos lugares mais inóspitos e inacessíveis do planeta localizado no Extremo Norte da Rússia e banhado pelo oceano Glacial Ártico, que banha aproximadamente 60% dos mais de 37,6 mil quilômetros do litoral russo. A região possui uma das maiores reservas de hidrocarbonetos do mundo.

Rota Marítima do Norte (linha vermelha), via canal de Suez (linha verde)
© FOTO / NASA
Rota Marítima do Norte (linha vermelha), via canal de Suez (linha verde)

A Rota Marítima do Norte conta com os portos de Murmansk, situado na parte europeia da Rússia, e Petropavlovsk no Extremo Oriente, na península de Kamchatka.

No final de 2020, 33 milhões de toneladas de petróleo, gás natural liquefeito e derivados de níquel foram transportados ao longo desta rota.

Os principais clientes desta rota seriam China, em primeiro lugar, e também Japão e Coreia do Sul, porque transportar mercadorias até os portos dos países do Sudeste Asiático já não seria rentável devido à longa distância a ser percorrida.

De acordo com a diplomacia russa, o episódio evidencia a necessidade de elevar os esforços na criação de uma rota marítima no Ártico, que conectaria a Europa à Ásia.

Embarcação no Porto Marítimo Comercial de Petropavlovsk-Kamchatsky
© SPUTNIK / ALEKSANDR PIRAGIS
Embarcação no Porto Marítimo Comercial de Petropavlovsk-Kamchatsky

Nikolai Korchunov, responsável pela cooperação internacional no Ártico no Ministério das Relações Exteriores da Rússia, afirmou que o incidente no canal de Suez evidenciou a necessidade, acima de tudo, de um maior desenvolvimento da Rota Marítima do Norte.

Contudo, Aleksei Kalinin, diretor do Instituto de Pesquisa de Mercados Emergente da Escola de Administração de Moscou, em Skolkovo, a rota não substituiria o canal de Suez, mas seria sim uma alternativa para redirecionar rapidamente as mercadorias em casos como o do dia 23 de março.

"É preciso entender que nenhuma outra rota pode substituir completamente o canal de Suez", afirmou.

Condição climática e sua ação favorável

A rota marítima no Ártico russo é cada vez mais praticável, isso graças às mudanças climáticas.

A mudança climática, que resulta no degelo da região durante o verão, está tornando o projeto de uma nova possibilidade de atividades na região cada vez mais viável.

De acordo com o relatório da agência meteorológica russa Rosgidromet, a área de gelo na região é cinco a sete vezes menor, em comparação com a década de 1980.

Porto Marítimo Comercial de Murmansk
© SPUTNIK / VLADIMIR PESNIA
Porto Marítimo Comercial de Murmansk

Além disso, em 2020 a área de cobertura de gelo em setembro atingiu um recorde de redução, limitando-se a 26 mil quilômetros quadrados.

Em 2020, a Rússia registrou temperaturas anuais recorde, resultando no declínio histórico do gelo no período de verão na Rota Marítima do Norte.

O Ártico perde 43,8 mil quilômetros quadrados de gelo todos os anos, o que abre a possibilidade de uma nova rota marítima que poderia revolucionar os transportes globais e permitir o acesso a outros recursos naturais.

Desta forma, a mudança climática e o recuo do gelo nos verões boreais tornam o projeto mais realista, já que expande cada vez mais as rotas marítimas.

O navio russo de grande capacidade, Christophe de Margerie, pela primeira vez na história da navegação, percorreu a Rota Marítima do Norte partindo da península de Yamal em maio e concluindo a viagem na China em junho de 2020 em apenas três semanas. Habitualmente, o período de navegação no porto de Sabetta, no Extremo Norte da Rússia, começa no mês de julho.

Navio-tanque Christophe de Margerie
© SPUTNIK / ALEKSEI DRUZHININ
Navio-tanque Christophe de Margerie

A chegada do navio foi considerada um importante avanço para a Rússia, que demonstrou grande potencial para transportar cargas através dos mares do Ártico.

Atualmente, centenas de embarcações passam por esta rota a cada ano. Antes, a Rota Marítima do Norte era considerada inviável, sendo preciso muito tempo para percorrer, mesmo com a ajuda de quebra-gelos.

Abrindo caminho para novas oportunidades

O impacto no ecossistema do Ártico significa a abertura de "duas novas grandes áreas", sendo elas a facilidade de acesso a recursos naturais e a abertura de novas rotas marítimas.

Contudo, especialistas acreditam que poderão decorrer décadas até que haja condições de navegabilidade regular na região, já que essas rotas necessitam contar com capacidade de busca e salvamento em caso de acidente, pilotagem prática marítima, capacidade de limitar eventuais derrames, ou seja, uma grande infraestrutura.

Navio quebra-gelo nuclear russo 50 Let Pobedy (50 Anos da Vitória), da classe Arktika, na Terra de Francisco José
© SPUTNIK / PAVEL LVOV
Navio quebra-gelo nuclear russo 50 Let Pobedy (50 Anos da Vitória), da classe Arktika, na Terra de Francisco José

Apesar dos diversos pontos a serem considerados, a ideia de contar com a rota marítima no Ártico russo oferece um atrativo – a possibilidade de encurtar o tempo de travessia Ásia-Europa em transporte marítimo em 14 dias.

"A Rota Marítima do Norte tem um grande potencial de expandir o volume de transporte de cargas, o que reduziria significativamente o tempo de transporte de mercadorias da Ásia à Europa. Gás natural liquefeito e petróleo, entre outros bens", afirmou o Ministério da Energia da Rússia.

De acordo com o Ministério da Energia da Rússia, apesar da condição não ser muito favorável na região, em 2020 o tráfego ao longo da Rota Marítima do Norte superou os números planejados e somou quase 33 milhões de toneladas de carga.

Segundo o diretor-geral da Fundação de Desenvolvimento do Extremo Oriente e Região do Transbaikal, Aleksei Chekunkov, para garantir o desenvolvimento da Rota Marítima do Norte, tornando-a competitiva, o país já estaria desenvolvendo uma frota de quebra-gelos, em conexão com o alongamento do período de navegação.

Navio Perekop da Frota do Báltico da Rússia no porto de Vladivostok
© SPUTNIK / VITALY ANKOV
Navio Perekop da Frota do Báltico da Rússia no porto de Vladivostok

Contudo, para vencer o grande desafio deste desenvolvimento, será preciso criar estruturas que sejam legalmente vinculativas e que inibam a corrida aos recursos ou a canais navegáveis que possam ser abertos, como já aconteceu no acordo de pescas em alto mar para o Ártico, que demonstra como países como os Estados Unidos, a Rússia, a China ou Estados europeus conseguem colaborar quando se trata de algo que é do interesse internacional.

Além disso, os oito países com assento no Conselho do Ártico (Estados Unidos, Canadá, Rússia, Dinamarca, Noruega, Suécia, Islândia e Finlândia) precisarão avaliar os impactos totais em um ecossistema tão sensível, monitorando o impacto da exploração de recursos.

Perspectivas e futuro no Ártico

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, tem feito da exploração do Ártico uma prioridade estratégica, defendendo a criação de uma via marítima ao longo da costa norte para conectar a Europa à Ásia e competir com o Canal de Suez, que recebe cerca de 10% do fluxo marítimo global.

Em 2011, o governo russo anunciou que investiria 3,4 bilhões de euros (R$ 22,4 bilhões) nos próximos dez anos em todo o sistema de transporte russo para reformar os portos de Murmansk, situado na parte europeia da Rússia, e no Extremo Oriente os da península de Kamchatka, além de construir 10 centros de emergência com serviços de meteorologia e salvamento na região.

Após ter lançado a rota em 2011, a Rússia iniciou a construção de navios quebra-gelo e portos de abastecimento, centros de coordenação de operações de salvamento e bases militares na costa norte.

Navio quebra-gelo Admiral Makarov no Bósforo Oriental, enquanto zarpa para a Rota Marítima do Norte
© SPUTNIK / VITALY ANKOV
Navio quebra-gelo Admiral Makarov no Bósforo Oriental, enquanto zarpa para a Rota Marítima do Norte

A rota mostra um sensível aumento no fluxo de navios nos meses de verão, contudo, há necessidade de melhorias na gestão e logística dos percursos para que haja um transporte mais seguro e eficiente no norte, englobando o acesso a observações sinóticas do tempo meteorológico, do gelo marinho e das condições oceânicas, um sistema eficaz de busca e salvamento e auxílio de navios quebra-gelo, tripulações em constante treinamento para operar na região polar, além da necessidade de um sistema de tráfego de embarcações e um sistema integrado de governança e regulamentação baseado na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

De acordo com o decreto de Putin, até 2024 o tráfego de cargas na região deve aumentar para 80 milhões de toneladas até 2024.

De acordo com Sergei Valentei, professor de Economia na Universidade Plekhanov de Moscou, um dos segredos para o futuro da Rota Marítima do Norte é a demanda de gás liquefeito extraído pela Rússia na península de Yamal, que conta com as maiores reservas de gás do mundo.

Ruslan Tankayev, especialista na Câmara de Comércio e no Sindicato de Produtores de Hidrocarbonetos da Rússia, acredita que até 2050 "a rota será praticável o ano todo", reduzindo o percurso em milhares de quilômetros em relação à passagem pelo canal de Suez, além de ser mais segura contra atos de pirataria.