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quarta-feira, 21 de julho de 2021

Premiê de Israel apela a outros países para criarem juntos escudo global de defesa cibernética

 


O primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett, instou outras nações a se juntarem ao Estado hebraico na criação de uma plataforma internacional que consiga proteger de ataques cibernéticos.

Segundo referiu o premiê israelense durante uma conferência em Tel Aviv, um escudo cibernético global seria a melhor defesa contra hackers, informa a agência Bloomberg.

"Se tentar e lutar sozinho, perderá [...] Se lutarmos juntos, venceremos", afirmou Bennett, classificando as ameaças cibernéticas como uma das maiores ameaças à segurança nacional de Israel.

É importante sublinhar que Israel é líder mundial no desenvolvimento de tecnologia para proteção de redes digitais. Na verdade, a ocorrência frequente de ataques cibernéticos contra o Estado judeu faz com que o país necessite se desenvolver nessa direção. De igual modo, também é comum seus principais aliados sofrerem ataques dessa natureza.

Nos últimos três meses, os EUA sofreram ataques cibernéticos que criaram o caos em hospitais, paralisaram o maior gasoduto do país, Colonial Pipeline, e um grande fornecedor de carne, JBS, atingiram centenas de outras empresas.

"Tudo está sob ataque: nossa água, nossa eletricidade, nossa comida, nossos carros [...] Por quê? Por que é fácil e nunca foi tão fácil", declarou Bennett, citado pela mídia.


 

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Como rota marítima no Ártico russo pode se tornar 'centro das atividades' do transporte global?

 


O incidente com o cargueiro Ever Given, que ficou atravessado no canal de Suez, ilustrou a necessidade de desenvolver uma rota marítima no Ártico. A Sputnik explica como esta via pode se tornar praticável, bem como suas perspectivas.

No dia 23 de março, o cargueiro Ever Given, de 400 metros de comprimento, 59 metros de largura e 60 de altura, operado pela empresa Evergreen Marine de Taiwan, bloqueou o canal de Suez, após ventos fortes terem empurrado a embarcação diagonalmente na via navegável.

Na ocasião, mais de 300 embarcações ficaram em uma fila de espera em ambos os lados da hidrovia artificial, aguardando para entregar suas cargas da Europa à Ásia e vice-versa. O bloqueio do tráfego marítimo, que durou seis dias, gerou um custo total de aproximadamente US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bilhões), segundo o almirante Osama Rabie, chefe da Autoridade do Canal de Suez.

Importante rota marítima

O canal de Suez é uma importante via artificial navegável para o transporte global leste-oeste, construída no território egípcio, sendo a única maneira de passar do mar Mediterrâneo ao mar Vermelho e depois ao oceano Índico.

Atualmente, cerca de 12% do comércio mundial, aproximadamente um milhão de barris de petróleo e em torno de 8% do gás natural liquefeito fluem diariamente através da hidrovia.

Em 2015, o governo do presidente Abdel Fattah al-Sisi concluiu uma grande expansão do canal, inaugurado em 1869, permitindo-lhe acomodar os maiores navios do mundo.

Necessidade de uma alternativa

O bloqueio do canal de Suez evidenciou a vulnerabilidade da rota usada para o transporte de mercadorias, fazendo com que o mercado logístico global voltasse sua atenção para rotas alternativas, sendo que uma delas é a Rota Marítima do Norte.

A Rota Marítima do Norte, que passa ao longo do litoral setentrional russo, conectando o Atlântico ao Pacífico, é um dos lugares mais inóspitos e inacessíveis do planeta localizado no Extremo Norte da Rússia e banhado pelo oceano Glacial Ártico, que banha aproximadamente 60% dos mais de 37,6 mil quilômetros do litoral russo. A região possui uma das maiores reservas de hidrocarbonetos do mundo.

Rota Marítima do Norte (linha vermelha), via canal de Suez (linha verde)
© FOTO / NASA
Rota Marítima do Norte (linha vermelha), via canal de Suez (linha verde)

A Rota Marítima do Norte conta com os portos de Murmansk, situado na parte europeia da Rússia, e Petropavlovsk no Extremo Oriente, na península de Kamchatka.

No final de 2020, 33 milhões de toneladas de petróleo, gás natural liquefeito e derivados de níquel foram transportados ao longo desta rota.

Os principais clientes desta rota seriam China, em primeiro lugar, e também Japão e Coreia do Sul, porque transportar mercadorias até os portos dos países do Sudeste Asiático já não seria rentável devido à longa distância a ser percorrida.

De acordo com a diplomacia russa, o episódio evidencia a necessidade de elevar os esforços na criação de uma rota marítima no Ártico, que conectaria a Europa à Ásia.

Embarcação no Porto Marítimo Comercial de Petropavlovsk-Kamchatsky
© SPUTNIK / ALEKSANDR PIRAGIS
Embarcação no Porto Marítimo Comercial de Petropavlovsk-Kamchatsky

Nikolai Korchunov, responsável pela cooperação internacional no Ártico no Ministério das Relações Exteriores da Rússia, afirmou que o incidente no canal de Suez evidenciou a necessidade, acima de tudo, de um maior desenvolvimento da Rota Marítima do Norte.

Contudo, Aleksei Kalinin, diretor do Instituto de Pesquisa de Mercados Emergente da Escola de Administração de Moscou, em Skolkovo, a rota não substituiria o canal de Suez, mas seria sim uma alternativa para redirecionar rapidamente as mercadorias em casos como o do dia 23 de março.

"É preciso entender que nenhuma outra rota pode substituir completamente o canal de Suez", afirmou.

Condição climática e sua ação favorável

A rota marítima no Ártico russo é cada vez mais praticável, isso graças às mudanças climáticas.

A mudança climática, que resulta no degelo da região durante o verão, está tornando o projeto de uma nova possibilidade de atividades na região cada vez mais viável.

De acordo com o relatório da agência meteorológica russa Rosgidromet, a área de gelo na região é cinco a sete vezes menor, em comparação com a década de 1980.

Porto Marítimo Comercial de Murmansk
© SPUTNIK / VLADIMIR PESNIA
Porto Marítimo Comercial de Murmansk

Além disso, em 2020 a área de cobertura de gelo em setembro atingiu um recorde de redução, limitando-se a 26 mil quilômetros quadrados.

Em 2020, a Rússia registrou temperaturas anuais recorde, resultando no declínio histórico do gelo no período de verão na Rota Marítima do Norte.

O Ártico perde 43,8 mil quilômetros quadrados de gelo todos os anos, o que abre a possibilidade de uma nova rota marítima que poderia revolucionar os transportes globais e permitir o acesso a outros recursos naturais.

Desta forma, a mudança climática e o recuo do gelo nos verões boreais tornam o projeto mais realista, já que expande cada vez mais as rotas marítimas.

O navio russo de grande capacidade, Christophe de Margerie, pela primeira vez na história da navegação, percorreu a Rota Marítima do Norte partindo da península de Yamal em maio e concluindo a viagem na China em junho de 2020 em apenas três semanas. Habitualmente, o período de navegação no porto de Sabetta, no Extremo Norte da Rússia, começa no mês de julho.

Navio-tanque Christophe de Margerie
© SPUTNIK / ALEKSEI DRUZHININ
Navio-tanque Christophe de Margerie

A chegada do navio foi considerada um importante avanço para a Rússia, que demonstrou grande potencial para transportar cargas através dos mares do Ártico.

Atualmente, centenas de embarcações passam por esta rota a cada ano. Antes, a Rota Marítima do Norte era considerada inviável, sendo preciso muito tempo para percorrer, mesmo com a ajuda de quebra-gelos.

Abrindo caminho para novas oportunidades

O impacto no ecossistema do Ártico significa a abertura de "duas novas grandes áreas", sendo elas a facilidade de acesso a recursos naturais e a abertura de novas rotas marítimas.

Contudo, especialistas acreditam que poderão decorrer décadas até que haja condições de navegabilidade regular na região, já que essas rotas necessitam contar com capacidade de busca e salvamento em caso de acidente, pilotagem prática marítima, capacidade de limitar eventuais derrames, ou seja, uma grande infraestrutura.

Navio quebra-gelo nuclear russo 50 Let Pobedy (50 Anos da Vitória), da classe Arktika, na Terra de Francisco José
© SPUTNIK / PAVEL LVOV
Navio quebra-gelo nuclear russo 50 Let Pobedy (50 Anos da Vitória), da classe Arktika, na Terra de Francisco José

Apesar dos diversos pontos a serem considerados, a ideia de contar com a rota marítima no Ártico russo oferece um atrativo – a possibilidade de encurtar o tempo de travessia Ásia-Europa em transporte marítimo em 14 dias.

"A Rota Marítima do Norte tem um grande potencial de expandir o volume de transporte de cargas, o que reduziria significativamente o tempo de transporte de mercadorias da Ásia à Europa. Gás natural liquefeito e petróleo, entre outros bens", afirmou o Ministério da Energia da Rússia.

De acordo com o Ministério da Energia da Rússia, apesar da condição não ser muito favorável na região, em 2020 o tráfego ao longo da Rota Marítima do Norte superou os números planejados e somou quase 33 milhões de toneladas de carga.

Segundo o diretor-geral da Fundação de Desenvolvimento do Extremo Oriente e Região do Transbaikal, Aleksei Chekunkov, para garantir o desenvolvimento da Rota Marítima do Norte, tornando-a competitiva, o país já estaria desenvolvendo uma frota de quebra-gelos, em conexão com o alongamento do período de navegação.

Navio Perekop da Frota do Báltico da Rússia no porto de Vladivostok
© SPUTNIK / VITALY ANKOV
Navio Perekop da Frota do Báltico da Rússia no porto de Vladivostok

Contudo, para vencer o grande desafio deste desenvolvimento, será preciso criar estruturas que sejam legalmente vinculativas e que inibam a corrida aos recursos ou a canais navegáveis que possam ser abertos, como já aconteceu no acordo de pescas em alto mar para o Ártico, que demonstra como países como os Estados Unidos, a Rússia, a China ou Estados europeus conseguem colaborar quando se trata de algo que é do interesse internacional.

Além disso, os oito países com assento no Conselho do Ártico (Estados Unidos, Canadá, Rússia, Dinamarca, Noruega, Suécia, Islândia e Finlândia) precisarão avaliar os impactos totais em um ecossistema tão sensível, monitorando o impacto da exploração de recursos.

Perspectivas e futuro no Ártico

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, tem feito da exploração do Ártico uma prioridade estratégica, defendendo a criação de uma via marítima ao longo da costa norte para conectar a Europa à Ásia e competir com o Canal de Suez, que recebe cerca de 10% do fluxo marítimo global.

Em 2011, o governo russo anunciou que investiria 3,4 bilhões de euros (R$ 22,4 bilhões) nos próximos dez anos em todo o sistema de transporte russo para reformar os portos de Murmansk, situado na parte europeia da Rússia, e no Extremo Oriente os da península de Kamchatka, além de construir 10 centros de emergência com serviços de meteorologia e salvamento na região.

Após ter lançado a rota em 2011, a Rússia iniciou a construção de navios quebra-gelo e portos de abastecimento, centros de coordenação de operações de salvamento e bases militares na costa norte.

Navio quebra-gelo Admiral Makarov no Bósforo Oriental, enquanto zarpa para a Rota Marítima do Norte
© SPUTNIK / VITALY ANKOV
Navio quebra-gelo Admiral Makarov no Bósforo Oriental, enquanto zarpa para a Rota Marítima do Norte

A rota mostra um sensível aumento no fluxo de navios nos meses de verão, contudo, há necessidade de melhorias na gestão e logística dos percursos para que haja um transporte mais seguro e eficiente no norte, englobando o acesso a observações sinóticas do tempo meteorológico, do gelo marinho e das condições oceânicas, um sistema eficaz de busca e salvamento e auxílio de navios quebra-gelo, tripulações em constante treinamento para operar na região polar, além da necessidade de um sistema de tráfego de embarcações e um sistema integrado de governança e regulamentação baseado na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

De acordo com o decreto de Putin, até 2024 o tráfego de cargas na região deve aumentar para 80 milhões de toneladas até 2024.

De acordo com Sergei Valentei, professor de Economia na Universidade Plekhanov de Moscou, um dos segredos para o futuro da Rota Marítima do Norte é a demanda de gás liquefeito extraído pela Rússia na península de Yamal, que conta com as maiores reservas de gás do mundo.

Ruslan Tankayev, especialista na Câmara de Comércio e no Sindicato de Produtores de Hidrocarbonetos da Rússia, acredita que até 2050 "a rota será praticável o ano todo", reduzindo o percurso em milhares de quilômetros em relação à passagem pelo canal de Suez, além de ser mais segura contra atos de pirataria.

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Coreia do Sul pretende conquistar mercado global com caça KF-X (FOTOS)

 


A Coreia do Sul se prepara para revelar um protótipo de seu caça de próxima geração, no início de 2021, que, segundo a empresa aeroespacial e de defesa da Coreia do Sul, tem objetivo de conquistar parte do mercado global.

"A partir de 2030 em diante, os caças rivais europeus precisarão de substituição devido ao envelhecimento, mas o custo de produção deles é relativamente alto. A América dispõe a vantagem do preço, mas não aprova a venda dos novos caças para alguns países", afirmou ao The Korea Herald o engenheiro-chefe do projeto KF-X, Lee Il-woo.



Caça multifuncional KF-X da Força Aérea da Coreia do Sul

Além disso, os sul-coreanos pretendem substituir suas aeronaves de terceira geração F-4 e F-5 para reforçar seu poder aéreo contra outras potências militares.

"Nossa aeronave de geração 4.5 é uma 'máquina radical'", citou ao falar sobre os sistemas sofisticados do projeto KF-X.

A produção massiva da aeronave, conhecida como KF-X e que deve passar por um ano de testes no solo e quatro anos de testes de voo, está prevista apenas para 2026.



Caça multifuncional KF-X da Força Aérea da Coreia do Sul

Lee também afirmou que em comparação com outras grandes empresas do mercado, como Boeing e Airbus, que por vezes atrasam a entrega de suas aeronaves, a sul-coreana mantém o plano para sua produção, o que é motivo de orgulho no país.

O KF-X pode alcançar uma velocidade Mach 1,83, além de ter um alcance de aproximadamente 2.900 quilômetros. O caça tem um peso máximo de decolagem de 25.580 kg e pode transportar até 7.700 kg de carga útil, informa o portal Janes.



Caça multifuncional KF-X da Força Aérea da Coreia do Sul

A aeronave sul-coreana contará com dois assentos em tandem e três pilones debaixo de cada asa para armas ou tanques de combustível, além de ser capaz de transportar quatro mísseis sob a fuselagem.

domingo, 13 de setembro de 2020

Deutsche Bank prevê chegada de 'desordem' global marcada pela Guerra Fria entre EUA e China



O recente relatório surge logo após as previsões feitas for analistas de mercado e hedge funds que o dólar americano poderia perder mais de um terço de seu valor ante o euro e cair em relação a outras moedas nos próximos meses.
Essa situação se deve ao mau desempenho econômico dos EUA e incremento de sua dívida na sequência da crise do coronavírus.
O mundo está "à beira" de uma nova era marcada pela instabilidade, desordem e fragmentação do período anterior de globalização, prevê em seu relatório o Deutsche Bank, o maior banco da Alemanha e uma das maiores instituições financeiras do mundo.
No documento, o banco sugere que a crise do coronavírus acelerou, mas não causou, a chegada daquilo que o principal analista Jim Reid refere como a nova "Era da Desordem", em que a deterioração das relações e os interesses divergentes entre os EUA e a China substituirão a era da "globalização sem restrições" que começou no início dos anos 80.
"Em termos de geopolítica, a tensão entre os EUA e a China deveria 'caracterizar a era da desordem' à medida que a China continua o percurso de recuperação de seu papel histórico como motor econômico mundial enquanto prefere seus próprios valores ao liberalismo ocidental", aponta o resumo do relatório.
Prevê-se que a China ultrapasse os EUA em termos de Produto Interno Bruto nominal até o final desta década. Com esta mudança radical é esperado que aumente o perigo da chamada Armadilha de Tucídides (risco acrescido de conflito militar entre duas potências rivais quando uma alcança outra economicamente). O relatório lembra que aconteceram guerras em 12 das 16 vezes em que ocorreu a Armadilha de Tucídides nos últimos cinco séculos.

© DEPOSITPHOTOS / KOYDESIGN
Yuan e dólar
Relatório sugere que um confronto militar direto entre a China e os EUA é improvável, no entanto, em vez disso o conflito se assemelhará mais à Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, o que economicamente implica novas tarifas, sanções, apreensões de ativos e proibição de transferência de tecnologia e geopoliticamente a formação de blocos militares distintos, um liderado por Pequim e outro por Washington. Por sua vez, separadamente a China, a Rússia, a União Europeia e a Turquia devem competir pela influência no Oriente Médio e em África.
O relatório alerta que o período de instabilidade, que é previsto que dure cerca de dez anos, poderia ser "uma década de tudo ou nada para a Europa", com interesses econômicos divergentes e estagnação econômica ameaçando criar novos "pontos de estresse" na sequência da crise do coronavírus.
Os analistas do Deutsche Bank preveem também que a "teoria monetária moderna", ou o chamado "dinheiro de helicóptero", que é uma política monetária controversa que sugere pagamentos de bancos centrais diretamente aos cidadãos par estimular o crescimento econômico, será a tendência principal nos próximos anos e levará ao endividamento ainda mais elevando dos países. É previsto que um dos prováveis efeitos colaterais seja o aumento da inflação.
Devido à crise causada pelo coronavírus, a economia global deverá encolher mais de 5%, com o Banco Mundial denominando esta recessão como "a pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial".