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terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Com apoio da Europol e EUA, PF prende 12 pessoas em operações contra tráfico internacional de drogas

 


PF cumpre mandados de busca e apreensão e prisão em cinco estados do Brasil, além de contar com cooperação policial no Paraguai, Espanha e Emirados Árabes Unidos. No Rio de Janeiro, dois blindados do COT foram enviados à Vila Cruzeiro no âmbito da operação.

Nesta terça-feira (15), uma operação ambiciosa da Polícia Federal, que ocorre em cinco estados do Brasil e três diferentes países, simultaneamente, prendeu pelo menos 12 pessoas, de acordo com o G1.
No total, os agentes saíram para cumprir 39 mandados de prisão e 47 de busca. A PF contou com o apoio da Receita Federal, com o Ministério Público Federal (MPF), com a Drug Enforcement Administration (DEA) — a agência antidrogas dos Estados Unidos — e com a Europol.
Um dos focos da operação foi no estado do Rio de Janeiro, mas especificamente na Vila Cruzeiro, na Penha, onde dois blindados foram encaminhados para o local. Conforme registrado por moradores, houve intenso tiroteio.
Na última sexta-feira (11), uma operação na região terminou com nove mortos em confronto. Todos eram criminosos, de acordo com a polícia.

A mídia relata que, em dois anos de investigações, a PF apreendeu pelo menos dez toneladas de cocaína e reteve quase R$ 15 milhões.
Uma das operações, batizada de Turfe, buscava cumprir 20 mandados de prisão e 30 de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso. Além dos mandatos nacionais, há medidas de cooperação policial no Paraguai, Espanha e Emirados Árabes Unidos.
Em um ano e meio de investigações, a força-tarefa identificou uma quadrilha que trazia drogas da Bolívia e da Colômbia para o Rio, e da cidade, enviava os entorpecentes à Europa. O tráfico acontecia utilizando a prática conhecida como rip-on rip-off, que consiste em usar uma exportação legítima para enviar a droga ao exterior ao ser inserida em contêineres a serem exportados.
Na foto, policiais do Comando de Operações Táticas (COT) da PF se agrupam para começar as operações nesta manhã, Rio de Janeiro, 15 de fevereiro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 15.02.2022
Na foto, policiais do Comando de Operações Táticas (COT) da PF se agrupam para começar as operações nesta manhã, Rio de Janeiro, 15 de fevereiro de 2022
Outra operação realizada pela PF foi a Operação Brutium, na qual os policiais federais buscavam cumprir 19 mandados de prisão e 17 de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo.
Em dois anos de investigações, a PF descobriu que a organização criminosa No Limit Soldiers (Soldados Sem Limites, na tradução) se aliou às duas maiores facções brasileiras para enviar cocaína da Bolívia e do Peru para a Europa.
A No Limits Soldiers surgiu em Curaçao, no Caribe, e se expandiu para a América Central e a Holanda, com apoio da DEA e das forças de segurança de França, Marrocos, Bélgica e Espanha, a PF apreendeu mais de duas toneladas de cocaína no Brasil, na Europa e na África, e R$ 3,5 milhões.
Operação da PF em Volta Redonda apreende grande carga de cocaína, 24 de junho de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 24.08.2021
Notícias do Brasil
Operação Tamoios: PF desarticula esquema de tráfico de drogas por via marítima entre Brasil e Europa



segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Dinamarca anuncia apoio financeiro de 22 milhões de euros à Ucrânia em meio a tensões com Rússia

 


Copenhague acusa a Rússia de realizar uma "mobilização perto da fronteira ucraniana" e envia por isso à Ucrânia uma nova e maior tranche de fundos após a anterior, de 2018.


O Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca anunciou no domingo (16) que o país destinará € 22 milhões (R$ 138,28 milhões) à Ucrânia como parte de um "programa de apoio abrangente".
Segundo o comunicado, o financiamento ajudará a "fortalecer a resiliência e capacidade da Ucrânia de gerir as consequências severas do conflito em curso na Ucrânia oriental", com Jeppe Kofod, chanceler da Dinamarca, culpando a Rússia pela "mobilização perto da fronteira ucraniana".

"Também estamos aumentando nossa contribuição ao treino militar da Ucrânia e nossa assistência para pôr o pessoal militar ucraniano em linha com os padrões da OTAN", revelou Trine Bramsen, ministra da Defesa.

Além da área militar, a declaração refere que a assistência procurará "melhorar o diálogo entre pessoas dos dois lados da linha de contato, de forma a promover a resolução do conflito e reconciliação local".
Na região de Yasne, leste da Ucrânia, um soldado ucraniano se posiciona em uma trincheira na fronteira com a República Popular de Donetsk, em 14 de janeiro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 14.01.2022
Panorama internacional
EUA planejam enviar armas e treinar insurgentes na Ucrânia em caso de agressão russa, diz mídia
Trata-se de um novo apoio financeiro, depois que Copenhague ofereceu € 16,1 milhões (R$ 101,19 milhões, na conversão atual) a Kiev entre 2018 e 2021.
Países ocidentais têm culpado a Rússia por supostamente se preparar para invadir a Ucrânia, com Moscou respondendo que tem todo o direito de movimentar tropas dentro de seu próprio território e que isso é uma resposta à militarização junto das fronteiras russas pela OTAN, inclusive na Ucrânia, que não é Estado-membro da Aliança Atlântica.

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Tensão entre China e EUA aumenta após Blinken pedir apoio das Nações Unidas a Taiwan

 


Pequim protestou perante Washington contra os comentários do secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, afirmando que sua declaração pode levar a perturbações nas relações sino-americanas.

Em sua declaração nesta terça-feira (26), o secretário de Estado dos EUA Antony Blinken disse que Taiwan se tornou uma história de sucesso democrático e seu apoio à transparência, direitos humanos e primado do direito correspondem aos valores da Organização das Nações Unidas (ONU).

"Por isso encorajamos todos os Estados-membros da ONU para se juntarem a nós no apoio à participação sólida e significativa de Taiwan no sistema das Nações Unidas e na comunidade internacional", declarou Blinken.

Blinken afirmou que permitir a Taiwan participar de órgãos internacionais é consistente com a política norte-americana de "uma China única".

A exclusão de Taiwan mina o trabalho importante da ONU e seus organismos relacionados, dando como exemplo que Taiwan não está presente na Organização da Aviação Civil Internacional ou na Assembleia Mundial da Saúde, conforme Blinken.

Reposta de Pequim

Hoje (27), o porta-voz da chancelaria chinesa, Zhao Lijian, declarou que os comentários do secretário de Estado dos EUA violam o princípio de "uma China única", as disposições de três comunicados conjuntos sino-americanos e também as promessas que o país fez.

"Os EUA continuam cometendo erros em palavras e ações sobre a questão de Taiwan. O lado chinês deu respostas firmes e necessárias ao longo do tempo. Se os Estados Unidos continuarem jogando a desaconselhável 'carta de Taiwan', isso inevitavelmente colocará enormes riscos às relações sino-americanas", disse Zhao Lijian.

O porta-voz chinês sublinhou que a participação de Taiwan em atividades internacionais deve ser realizada em conformidade com o princípio de "uma China única". Promovendo a "democracia de Taiwan", os Estados Unidos tentam distorcer conceitos e enganar os outros.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

China adquire novo veículo off-road para apoio logístico a elevadas altitudes (FOTO)

 


O Exército de Libertação Popular (ELP) da China recebeu um veículo off-road recém-desenvolvido para missões de apoio logístico em planaltos de altitudes superiores a cinco mil metros.

Comissionado pelas tropas de transporte, o veículo poderá, efetivamente, resolver o problema relacionado a dificuldades na entrega de mercadorias para soldados de bases nas regiões de maior altitude, informou a Televisão Central Chinesa (CCTV, na sigla em inglês) no sábado (16), reporta The Global Times.

Projetado com esteiras feitas de metaloide, este novo veículo off-road pode percorrer encostas de 35 graus de inclinação, conforme o relatório, observando que pode entregar até 1,5 tonelada de mercadoria.


© FOTO / CCTV / CAPTURA DE TELA
Captura de tela do novo veículo off-road do Exército de Libertação Popular (ELP) da China

Graças a este veículo, até mesmo os soldados do ELP em altitudes superiores a cinco mil metros poderão receber mantimentos prontamente. Em uma missão recente, o veículo entregou dezenas de caixas de macarrão instantâneo e barris de água mineral, informou a mídia chinesa.

No entanto, o nome deste novo veículo ainda não foi revelado.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Índia oferece apoio à Marinha do Sri Lanka para confrontar influência da China na região



Para contornar a influência marítima da China em suas águas, a Índia vem fortalecendo laços de defesa com países dentro e ao redor do oceano Índico.

O ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, garantiu recentemente que a Índia será um parceiro confiável do Sri Lanka, oferecendo-se para aumentar as capacidades navais da nação insular.

Jaishankar declarou que Nova Deli está pronta para ajudar a pequena ilha vizinha a melhorar suas capacidades, frente aos crescentes desafios marítimos e problemas de segurança na região.

"A Índia está fortemente comprometida com a unidade, estabilidade e integridade territorial do Sri Lanka. Seremos um parceiro confiável e seguro", disse Jaishankar em uma coletiva de imprensa conjunta ao lado de seu homólogo do Sri Lanka, Dinesh Gunawardena.

Na verdade, a maioria dos navios da Marinha do Sri Lanka são de origem indiana, incluindo seu maior navio de patrulha offshore.

Porém, a China desafiou a influência do seu vizinho rival ao doar uma fragata Type 035 ao Sri Lanka em 2019. A nação insular, por sua vez, disse que a fragata está sendo utilizada para missões de patrulha e vigilância em águas profundas, contribuindo para a segurança marítima e ajudando em operações de busca e resgate. Os navios de pesquisa chineses não são estranhos às águas do país, tendo já sido avistados várias vezes pela Marinha indiana.

[Foi um] Prazer ligar para o presidente Gotabaya. O primeiro-ministro Narendra Modi transmite saudações calorosas. Cooperação foi discutida para a recuperação econômica e saúde pós-COVID-19. A Índia será um parceiro confiável no desenvolvimento do Sri Lanka.

Desde 2014, quando o Sri Lanka permitiu que dois submarinos e um navio de guerra chineses atracassem em seu porto de Colombo, a Índia vem se preocupando com sua dominância no Índico e desde então, tem trabalhado para intensificar os laços de defesa com a ilha em causa, treinando oficiais do Sri Lanka e fazendo exercícios conjuntos.


 

domingo, 26 de julho de 2020

Papa Francisco pede apoio a idosos isolados pela pandemia: 'Não os deixem sozinhos'



O Papa Francisco pediu neste domingo (26) aos fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano, aplausos aos idosos que sofrem de solidão durante a pandemia.

Na data que também marca o Dia dos Avós, o Sumo Pontífice pediu que os fiéis pensem em todos os idosos como se eles fossem seus próprios parentes, informa a agência de notícias Associated Press. 
"Não os deixem sozinhos", disse Francisco, que recomendou aos fiéis que falem por telefone, por videochamada ou que visitem os idosos, desde que seja possível manter o distanciamento social
"Gostaria de convidar os jovens a fazer um gesto de carinho pelos idosos, especialmente aqueles que estão sozinhos, em suas casas ou em casas de repouso, aqueles que não vêem seus entes queridos há meses'', disse o Papa. "Envie-lhes um abraço, são suas raízes.''
Os idosos são um grupo especialmente vulnerável ​​ao coronavírus e os surtos em asilos têm sido particularmente graves. Em muitos lugares, os idosos não podem receber entes queridos e devem limitar-se a telefonemas ou videochamadas ou, no máximo, uma saudação pela janela.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Bolsonaro luta pela sobrevivência com apoio de generais, diz New York Times

O poder militar no governo Bolsonaro

Reportagem especial do jornal estadunidense descreve Jair Bolsonaro como um líder debilitado, que deu aos generais do Brasil abertura para se inserirem na linha de frente da política


Por Ernesto Londoño, Letícia Casado e Manuela Andreoni | NY Times
Jair Bolsonaro ascendeu à Presidência do Brasil com um vasto conjunto de promessas, como cortar a podridão da corrupção, estimular a economia e acabar com a notória sujeirada na política do país.
Que diferença fazem 16 meses.
Golpeado por uma torrente de investigações sobre si e sua família, uma economia em queda livre e críticas ao manejo de uma das epidemias de coronavírus que mais crescem no mundo, Bolsonaro está lutando pela sobrevivência política.
Agora, com os pedidos de intensificação do seu impeachment, ele está sendo acompanhado por um grupo cada vez menor de líderes que estão ganhando poder enorme à medida que seus problemas se multiplicam.
Bolsonaro torna-se cada vez mais dependente de um quadro de anciãos militares, confiando a eles o maior poder que jamais tiveram desde que a ditadura militar terminou na década de 1980.
E, apesar de seus primeiros votos para limpar a política, tornou-se altamente dependente de políticos de carreira, incluindo vários prejudicados por acusações de corrupção, ansiosos para extrair favores de um líder em dificuldades. Isso poderia dar a eles controle sobre bilhões de dólares em gastos públicos, à medida que o país entra em uma grave recessão.
A pandemia deixou Bolsonaro especialmente vulnerável. O Brasil está rapidamente se tornando um foco global e esta semana superou o número de mortes relatadas pela China. No entanto, o presidente continua resistindo aos pedidos de quarentenas mais rigorosas e demonstra pouca empatia pelos mais de 5 mil brasileiros que morreram, provocando críticas generalizadas de que ele tem sido imprudente e insensível.
"E daí? Desculpe, mas o que você quer que eu faça?", disse esta semana sobre o crescente número de mortos, antes de fazer uma piada sobre seu nome do meio. "Meu nome é Messias, mas não posso fazer milagres."
Seus problemas vão muito além do vírus. A Presidência de Bolsonaro já vinha se debatendo há semanas – e então ele desencadeou uma inesperada crise política na semana passada.
Demitiu o chefe da polícia federal e a reação foi feroz. O ministro da Justiça, Sergio Moro, o membro mais popular do gabinete, renunciou em protesto. Em uma tentativa de despedida extraordinária, Moro acusou o presidente de tentar obstruir a Justiça, colocando um funcionário subserviente no comando de uma agência que investiga vários de seus aliados, incluindo um dos filhos de Bolsonaro.
Isso levou o Supremo Tribunal a abrir uma investigação sobre as ações de Bolsonaro e bloquear a nomeação de um novo chefe de Polícia Federal. Bolsonaro reagiu de maneira desafiadora, dizendo que não havia abandonado o "sonho" de ter um amigo da família no comando da força policial, aumentando a perspectiva de um choque institucional.
As demandas pela renúncia e impeachment do presidente estão ganhando força no Congresso, onde uma oposição sem líderes e dispersos carece de um plano claro para derrubá-lo. Mesmo assim, os legisladores e a Suprema Corte estão deixando Bolsonaro com pouco espaço para manobrar.
"Ele se ilude ao pensar que não está vinculado à Constituição", disse Randolfe Rodrigues, um importante senador da oposição. "Espero que ele comece a descobrir que está sujeito ao Estado de Direito."
O gabinete do presidente recusou entrevistas nesta semana. Mas, à medida que Bolsonaro se tornou radioativo para grande parte do establishment político da capital, Brasília, diplomatas e cientistas políticos começaram a adivinhar o quanto os tumultos que os generais que ocupam cargos de chefia vão tolerar.
A era Bolsonaro deu aos generais do Brasil uma abertura para se inserir de volta nas linhas de frente da política, um papel que eles tiveram durante a ditadura militar de 21 anos do país, que terminou em 1985.
Atualmente, oficiais ativos e ex-militares ocupam nove das 22 posições do gabinete, incluindo três que operam fora do palácio presidencial. Esses poleiros deram ampla autoridade militar ao Brasil sobre questões como política fiscal, desenvolvimento na Amazônia e resposta à pandemia.
"Acho que esta é a melhor equipe do governo que tivemos nos últimos 30 anos, de longe", disse em entrevista o general Paulo Chagas, que se candidatou a um cargo, mas não está no governo. "No entanto, a vulnerabilidade do governo é seu próprio líder, que está sempre dando munição aos seus adversários."
À medida que o caos toma conta da Presidência de Bolsonaro, as especulações de que seu vice-presidente, general Hamilton Mourão, está se preparando para assumir o cargo, estão repletas de memes e conversas de bastidores. Mourão, às vezes, parece gostar do pandemônio.
Pouco depois de Bolsonaro demitir seu ministro da Saúde em 17 de abril - depois de reclamar do forte endosso das medidas de distanciamento social do ministro - o vice-presidente sorriu quando disse aos jornalistas: “Tudo está sob controle: simplesmente não sabemos quem.”
Amy Erica Smith, cientista política da Universidade Estadual de Iowa, especializada no Brasil, disse que os generais que se apegam a Bolsonaro agora devem estar preocupados com sua reputação pessoal e com a imagem dos militares como garantidor da ordem.
"A crise que estamos enfrentando aumenta a ameaça de que os militares decidam que a liderança civil não é eficaz e decidem assumir o controle", disse ela. "Parece claro que os militares continuam tendo essa idéia de si mesmos como uma força tutelar na política".
Analistas políticos dizem que uma aquisição militar convencional é impensável no Brasil de hoje, dada a força do Congresso, dos tribunais, da sociedade civil e da imprensa. Smith disse, porém, que os generais podem transformar Bolsonaro em um líder em figura de proa ou apoiar tacitamente os esforços para impeach-lo, o que deixaria Mourão no controle.
A súbita perspectiva de uma nova deposição presidencial quatro anos após o tumultuado impeachment da presidente Dilma Rousseff mexeu com a política em Brasília, onde os legisladores apresentaram pelo menos 29 petições de impeachment contra Bolsonaro.
Bolsonaro é o raro presidente sem partido político, quebrando fileiras com o que o levou ao poder em novembro passado. Apesar de ter passado quase três décadas no Congresso, ele não fez nenhum esforço para construir uma coalizão de governo na legislatura multipartidária do Brasil.
Isso levou um agrupamento de partidos de centro e centro-direita, informalmente conhecido como o Centrão, a exigir cargos lucrativos e influentes do governo em troca de protegê-lo do impeachment.
Roberto Jefferson, ex-deputado do Centrão no Congresso e que admitiu ter desempenhado um papel de liderança em um esquema de propinas em 2005, disse que a sobrevivência política de Bolsonaro agora depende de acordos com líderes do centrão, muitos dos quais também foram contaminados por alegações de corrupção.
"Toda parte tem seus pecadores", disse Jefferson em entrevista. "Quem é um santo nesse reino?"
Os empregos pelos quais os líderes do centrão estão buscando dariam a seus partidos decidir a aplicação de bilhões de dólares.
A aliança emergente do Centrão com Bolsonaro também daria aos seus membros influência significativa sobre um enorme plano de gastos em infraestrutura pública anunciado por um membro militar do governo em um esforço para gerar empregos. A economia deverá contrair entre 5% e 9% este ano.
Analistas políticos veem esses planos como um anátema aos objetivos de austeridade de Bolsonaro e seu compromisso de romper com o tipo de negociação  que causou níveis surpreendentes de corrupção no passado.
Moro, um ex-juiz federal que se tornou a figura mais visível da repressão nacional contra a corrupção iniciada em 2014, diz que não acredita mais que o governo esteja comprometido em erradicar a corrupção.
"Concordei em me juntar ao governo Bolsonaro para fortalecer a luta contra a corrupção", disse ele em uma mensagem de texto ao The New York Times. "Desisti quando concluí que não teria capacidade de avançar nessa área".
A maneira como o presidente lidou com a crise dos coronavírus e a saída de Moro decepcionou alguns de seus partidários mais ricos e com melhor instrução. Mas uma recente pesquisa de opinião pública realizada pela Datafolha, uma empresa líder de pesquisa, mostrou que 33% dos entrevistados continuaram a apoiá-lo, sugerindo que sua taxa geral de aprovação permaneceu relativamente estável.
Ao longo de sua campanha e presidência, Bolsonaro se beneficiou de campanhas bem organizadas e ágeis de propaganda e desinformação que ultrapassaram a imprensa, contando com plataformas de mídia social e aplicativos de mensagens de texto.
"O direito político no Brasil tem o sistema mais sofisticado para contar com apoiadores para espalhar desinformação ao público", disse Marco Ruediger, pesquisador da Universidade Fundação Getulio Vargas que estuda desinformação política online.
Mas essa vantagem estratégica se tornou uma responsabilidade, à medida que a Polícia Federal e um comitê do Congresso investigam a estrutura e o funcionamento de comunidades on-line sombrias que apóiam o presidente. Entre os que estão sob investigação estão dois dos filhos do presidente, Eduardo e Carlos Bolsonaro.
O tratamento errático do presidente ao coronavírus, que ele chamou de "mísero resfriado", testou a resiliência de seus apoiadores on-line, disse Ruediger.
Mas uma base que parece ser firme são os cristãos evangélicos, que apoiaram Bolsonaro firmemente durante a campanha.
Nos últimos dias, Bolsonaro acenou para questões que animam esse círculo eleitoral, lembrando-os de sua oposição ao aborto e afirmando falsamente que a Organização Mundial da Saúde promove a homossexualidade e incentiva as crianças a se masturbarem.
"Todos os principais líderes de igrejas evangélicas no Brasil, todos continuam apoiando-o da mesma maneira", disse Silas Malafaia, líder de uma das mega-igrejas do país, em entrevista. “Bolsonaro só perderá nosso apoio se ele acabar envolvido pessoalmente na corrupção.”