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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Guerra Fria 2.0 entre EUA e China será uma batalha tecnológica, dizem especialistas

 


A batalha mundial pelo domínio da alta tecnologia está cada vez mais centrada em EUA e China. Com confronto aberto no caso da Huawei, especialistas do clube Valdai alertam para uma longa guerra fria tecnológica entre Washington e Pequim.

Nesta sexta-feira (22), a gigante de telecomunicações chinesa Huawei reportou forte retração em suas receitas, dando os primeiros sinais de que pode sucumbir às restrições impostas pelos EUA.

De acordo com a empresa, as receitas nos primeiros nove meses de 2020 recuaram 24,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

"A cadeia global de fornecimento da Huawei está sob intensa pressão e sua produção e operação enfrentam crescentes dificuldades", informou a empresa em nota.

A Huawei se comprometeu a "fazer o melhor para encontrar soluções, sobreviver e seguir em frente".

Após mostrar relativa resiliência, a Huawei finalmente deu sinais de desgaste após os EUA imporem restrições em uma área-chave: acesso à tecnologia de microchips.



© AP PHOTO / ANDY WONG
Funcionário da Huawei usa máscara protetora em centro comercial de Pequim, China, 31 de agosto de 2020

O Departamento de Comércio dos EUA adotou medidas para garantir que a Huawei não tenha acesso a semicondutores, incluindo chips produzidos por empresas estrangeiras que utilizem tecnologia norte-americana em seu processo produtivo.

Os EUA mantêm praticamente um monopólio em vários setores-chave da alta tecnologia, como a microeletrônica, biotecnologia e nanotecnologia.

Sua posição privilegiada permite que o país não só angarie boa parte do lucro advindo dessas tecnologias, mas também controle seu uso por países terceiros.


Biplolaridade tecnológica

Apesar do domínio norte-americano, a China está aumentando seu potencial tecnológico e hoje é o país mais bem posicionado para confrontar o domínio tecnológico dos EUA.

De acordo com Ruslan Yunusov, diretor do departamento de Tecnologia Quântica da Rosatom e diretor-geral do Centro Russo de Tecnologia Quântica, atualmente Pequim e Washington são os líderes disparados em quesitos como número de patentes, empresas no setor de inteligência artificial e supercomputadores.



© AP PHOTO / MARK SCHIEFELBEIN
Cientista olha através de microscópio em laboratório na cidade de Shenzhen, China (imagem referencial)

Desde 2018, das 20 maiores empresas do ramo de Internet 12 são norte-americanas e 8 chinesas.

A China não só faz frente aos EUA no desenvolvimento de tecnologias de ponta, mas também se posiciona à frente de possíveis competidores, como Alemanha, Japão, Rússia e Coreia do Sul.

Combate tecnológico

Reunidos para debate sobre guerra tecnológica no 17º Encontro Anual do Clube de Discussão de Valdai em Moscou, especialistas frisaram que a principal característica da guerra tecnológica atual é o esforço dos EUA em desacelerar o desenvolvimento tecnológico de concorrentes.

No entanto, enquanto guerras comerciais são justificadas por interesses econômicos dos países, a guerra tecnológica é justificada pela segurança nacional.

"A guerra tecnológica contra a Huawei, por exemplo, é conduzida sob a bandeira de defesa da segurança nacional, mas na verdade é também uma tentativa de eliminar a concorrência", disse Yunusov à Sputnik Brasil.

Essa característica ficaria clara no caso da pressão norte-americana para impedir que aliados europeus adotem a tecnologia 5G fornecida pela Huawei.



© AP PHOTO / ANDREW HARNIK
Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, discursa em frente à logotipo da empresa chinesa Huawei, em Washington, Estados Unidos, 15 de julho de 2020

"As empresas europeias não vão renunciar ao uso do 5G, mas terão que obter produtos de fornecedores mais caros. E quem vai pagar essa diferença serão os consumidores", alertou Yunusov.

De acordo com o diretor do Clube Valdai, Ivan Timofeev, essa política não interessa ao setor empresarial europeu.

"Pode ser que, do ponto de vista da segurança nacional, algumas medidas sejam, de fato, necessárias", disse Timofeev à Sputnik Brasil.

"Mas no que concerne ao setor empresarial, isso traz instabilidade e perdas [...] No entanto, além dos negócios existe a política", salientou Timofeev.



© SPUTNIK / VLADIMIR TREFILOV
Diretor do Grupo de Discussões Valdai, Ivan Timofeev, durante debate em Moscou, 6 de fevereiro de 2019

Apesar dos esforços, Washington e Pequim não têm a capacidade de serem completamente independentes tecnologicamente um do outro.

"Hoje isso não é possível. Tudo está muito entrelaçado", disse Yunusov. "A China atualmente não tem essa fortaleza, mas está tentando construir seu sistema de forma a não depender de tecnologia estrangeira."

Para Timofeev, é necessário fazer ajustes para que os países possam atingir certo nível de soberania tecnológica.

"No entanto, atualmente existe um alto nível de interdependência e cortar essas ligações é mais difícil do que se acreditava", acredita Timofeev.

Guerra Fria 2.0

Em 2019, a reforma da lei de controle de exportações dos EUA listou 14 setores tecnológicos sensíveis, em relação aos quais Washington deve impor restrições e mesmo bloquear a cooperação científica com outros países.

Dentre os setores listados estão a inteligência artificial, tecnologias de microprocessadores, análise de dados, vigilância, tecnologia quântica, logística, biotecnologia, robótica, entre outras.

De acordo com o diretor de pesquisa do Conselho Europeu de Relações Exteriores, Jeremy Shapiro, a política norte-americana de restrições em relação à China não deve mudar se Joe Biden vencer as eleições presidenciais de novembro.

"Não haverá nenhuma mudança fundamental, porque há um consenso bipartidário sobre a concorrência com a China. Biden [...] também utilizará seus meios econômicos para tentar ganhar essa competição", disse Shapiro durante o debate promovido pelo Clube Valdai.

O diretor do Comitê de Educação e Ciências do parlamento russo, Vyacheslav Nikonov, por sua vez, lembrou que os EUA não estão tão bem posicionados para a atual guerra fria com a China quanto estavam para o embate com a URSS.



© SPUTNIK / DMITRY ASTAKHOV
Primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, participa da 17ª Conferência Anual do Clube de Discussões Valdai, Moscou, 20 de outubro de 2020

"No início da Guerra Fria [do século XX], a URSS era um país destruído pela guerra. Hoje, a China é provavelmente a maior economia do mundo [...] Naquela época, o mundo inteiro devia aos EUA. Hoje, são os EUA que estão devendo para o mundo todo", notou Nikonov.

Apesar do combate tecnológico acirrado, Nikonov e Shapiro concordam que o confronto entre EUA e China não deve evoluir para a esfera militar.

"Estou otimista, não acho que os países tenham interesse em um conflito armado", concluiu Shapiro.

Especialistas de todo o mundo se reuniram nesta semana para a 17ª Conferência Anual do Clube de Discussões Valdai, celebrado na capital russa, Moscou. O evento contou com a participação por videoconferência do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e do primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Exército dos EUA realiza exercícios simulando 'batalha contra Rússia e China', aponta portal (VÍDEO)



Os exercícios foram realizados em meio a crescentes atividades de reconhecimento da OTAN perto das fronteiras russas nos mares Báltico e Negro, forçando os militares russos a enviar caças para interceptar os aviões espiões da Aliança Atlântica.

Um vídeo do exercício militar denominado Projeto Convergência, que terminou na semana passada no Arizona, foi publicado na conta do YouTube do Exército dos EUA.
O portal militar Defence News descreveu os exercícios, que duraram várias semanas, como um esforço que "agrega armas e capacidades futuras previstas para um campo de batalha da década de 2030 contra adversários semelhantes, como a Rússia e China".
Durante os treinamentos, aviões de guerra interagiram com sistemas de posicionamento, navegação e sincronização assegurados (APNT, na sigla em inglês) para "danificar e destruir equipamentos militares que modelavam sistemas de defesa antiaérea russos Pantsir e outros armamentos".
Os exercícios militares ocorreram em meio ao aumento de voos de aviões espiões da OTAN perto das fronteiras russas durante os últimos meses.
De acordo com o ministro da Defesa da Rússia Sergei Shoigu, caças russos têm sido acionados com regularidade para interceptar aviões de reconhecimento e bombardeiros que simulam ataques de mísseis.

sábado, 16 de maio de 2020

Guedes ironiza servidores médicos e policiais e diz que aumento só depois da 'batalha'


“Que história é essa de pedir aumento de salário para policial, para médico? Medalhas antes da batalha? As medalhas vêm depois da guerra, depois da luta. Nós vamos nos lembrar disso, vamos botar o quinquênio, o anuênio, o milênio, o eugênio. Tudo que for preciso. Mas não antes da batalha”, disse


O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a atacar o funcionalismo público nesta sexta-feira (15), durante coletiva no Palácio do Planalto ao dizer que não é hora de reajuste salarial para policiais e médicos, por exemplo, profissionais que estão na linha de frente em meio à pandemia do novo coronavírus.

Segundo o ministro, para receber “medalhas” é preciso antes participar da “guerra” e da “luta”.
“Que história é essa de pedir aumento de salário para policial, para médico? Medalhas antes da batalha? As medalhas vêm depois da guerra, depois da luta. Nós vamos nos lembrar disso, vamos botar o quinquênio, o anuênio, o milênio, o eugênio. Tudo que for preciso. Mas não antes da batalha”, disse.
Para tentar justificar o resultado econômico, Guedes voltou a dizer que o Brasil estava “começando a decolar” quando foi “atingido por uma pandemia”.
“Não podemos aproveitar um momento de fragilidade, em que o Brasil cai na crise financeiramente. Levamos um ano e meio. A reconstrução de um país leva anos. Passamos um ano e meio tentando construir. Quando estamos começando a decolar, somos atingidos por uma pandemia”, disse.
Guedes aproveitou para fazer um apelo Congresso Nacional. "Precisamos da contribuição do funcionalismo público. Dezenas de milhões de brasileiros estão sendo demitidos, milhares de empresas estão fechando, nós só estamos pedindo uma contribuição. Isso vale para funcionalismo de prefeitos, governadores e do governo federal. Nós sempre tivemos a mesma posição, não vamos tirar nada de ninguém. Enquanto o Brasil está de joelhos, nocauteado, por favor, não assaltem o Brasil", afirmou.

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domingo, 5 de abril de 2020

OTAN, Rússia e China estão do mesmo lado na batalha contra a COVID-19?



Conforme a pandemia de COVID-19 avança, a Rússia parece não ser mais a "principal ameaça" para a OTAN e demais países ocidentais. Para especialistas, a pandemia pode abrir portas para uma melhora na relação entre OTAN, Rússia e China.

A pandemia global de COVID-19 já causou o cancelamento de inúmeros exercícios e manobras militares ao redor do mundo e irá exigir planos de longo prazo para garantir a saúde e prontidão das tropas.
Enquanto as forças armadas de diversos países estão sendo chamadas para ajudar os seus cidadãos em território nacional, especialistas acreditam que existe a oportunidade de melhorar a relação da Rússia e da China com a maior aliança militar da atualidade, a OTAN.
Para o professor e vice-diretor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Yildirim Beyazit de Ancara,  Turquia, Giray Sadik, a pandemia de COVID-19 é, sem dúvida, a maior ameaça da atualidade, ultrapassando qualquer outra.
"[A COVID-19] é como um imã na situação de segurança global para todos, não só para a OTAN, a Rússia ou a China, mas para todo o mundo", disse. "A OTAN não está em guerra com a Rússia, agora todos então em guerra contra o coronavírus", disse.
De acordo com Sadik, além da preocupação com a pandemia, os líderes globais passam a fazer planos para o mundo pós-COVID-19. O professor acredita que, após o fim da pandemia, irão ocorrer mudanças fundamentais no mundo, incluindo a maneira como se travam guerras.
No entanto, é provável que a OTAN "continue fazendo o que está acostumada, porque foi construída para isso", notou o especialista.
Para Sadik, quando o assunto é combater a COVID-19, Rússia, China e OTAN estão do mesmo lado.
"Nós vemos que alguns canais diplomáticos estão sendo retomados. A Rússia está enviando ajuda para a Itália, enquanto muitos países europeus não o fizeram, apesar de serem membros da União Europeia e da OTAN. A Rússia também está enviando ajuda aos EUA. Isso se torna mais falado, fica em evidência. Isso é parte da diplomacia pública", disse.
No entanto, nos assuntos tradicionais da agenda de segurança internacional, como a Ucrânia, a Síria ou a Líbia, as diferenças entre as principais potências militares se mantêm.

© SPUTNIK / MINISTÉRIO DA DEFESA DA RÚSSIA
Especialistas militares russos com fatos de proteção bacteriológica inspecionando instalação médica em Bérgamo
"Em assuntos como a Síria e a Líbia, nós vemos que existem posições divergentes mesmo entre aliados. Alguns deles têm melhores relações com a Rússia do que entre si", notou Sadik.
Para o especialista, em meio à COVID-19, existem sinais de que há espaço para melhora nas relações entre a OTAN e a Rússia.
"Esta é outra indicação de que há algum espaço para um degelo nas relações, mas também existem sinais de que a OTAN irá continuar fazendo aquilo para que foi criada e é provável que siga nessa linha", concluiu Sadik.
O número de casos de COVID-19 mundialmente já ultrapassa 1 milhão e 200 mil. Mais de 64 mil pessoas faleceram em consequência do vírus. Os países com maior número de casos são os EUA, Espanha e Itália.