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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Regulador de mídia limita acesso ao Facebook na Rússia após empresa descumprir exigências



Nos últimos dias, as redes sociais suspenderam a conta da agência de notícias russa RIA Novosti por 90 dias, alegando uma suposta disseminação de "desinformação".


A suspensão ocorreu quando o veículo estava relatando os eventos em torno da operação especial dos militares da Rússia, destinada a proteger as repúblicas populares de Donetsk (RPD) e Lugansk (RPL).
As informações foram confirmadas pelo Serviço Federal de Vigilância na Área das Comunicações, Tecnologias da Informação e Mass Media, Roskomnadzor.
O órgão anunciou uma resposta ao Facebook, limitando o acesso à plataforma social a partir de 25 de fevereiro. O entendimento é de que a gigante das redes sociais "violou os direitos e as liberdades dos russos".

Nos últimos dias, o Facebook censurou quatro meios de comunicação russos. A saber: Zvezda, RIA Novosti, Lenta.ru e Gazeta.ru.

"Essas restrições violam os princípios da livre disseminação de informações e do acesso a elas", explicou Roskomnadzor em comunicado. "Não foram recebidas explicações sobre os motivos das medidas discriminatórias", acrescentou.

O serviço de vigilância revelou que detectou 23 casos de censura na rede social desde outubro de 2020.
Há meses o Facebook e sua controladora, a Meta, ignoram as exigências de Roskomnadzor de remover restrições sobre materiais publicados por vários meios de comunicação russos.
Em Moscou, Andrei Lipov, chefe do Serviço Federal de Vigilância na Área das Comunicações, Tecnologias da Informação e Mass Media (Roskomnadzor), participa de reunião com presidente russo Vladimir Putin, em 10 de agosto de 2020 - Sputnik Brasil, 1920, 25.02.2022
Andrei Lipov, chefe do Serviço Federal de Vigilância na Área das Comunicações, Tecnologias da Informação e Mass Media (Roskomnadzor), participa de reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou, Rússia, 10 de agosto de 2020.


sábado, 10 de abril de 2021

EUA nas portas da Crimeia? Turquia reacende debate sobre acesso da OTAN ao mar Negro

 


Governo turco reacende debate sobre passagem de navios militares pelos estreitos de Bósforo e Dardanelos, que poderia dar acesso ao mar Negro à embarcações da OTAN. Blefe de Erdogan ou perigo real para a Rússia?

Nesta semana, acontecimentos na Turquia reacenderam a velha disputa pelo trânsito nos estreitos de Bósforo e Dardanelos.

Essenciais para o acesso ao mar Negro, aonde se encontram países como Rússia, Ucrânia, Geórgia, Bulgária e Romênia, ambos os estreitos ficam em território turco, mas são regulados por leis internacionais, estabelecidas na Convenção de Montreux de 1936.

A relevância geopolítica dos estreitos é tamanha que muitos historiadores apontam Bósforo e Dardanelos como um dos fatores que motivaram a Primeira Guerra Mundial.

Na semana passada, o presidente do parlamento turco, Mustafa Sentop, gerou furor ao sugerir que o presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, teria o poder de se retirar da Convenção de Montreux e aplicar as leis turcas aos estreitos.

Em resposta, militares aposentados publicaram carta alertando para a importância da Convenção de Montreux. Dez almirantes foram presos após assinarem o manifesto, considerado pelo presidente turco como incitação a um golpe militar.

A convenção é objeto de disputa política na Turquia: enquanto militares apoiam a sua vigência, alas mais conservadoras e nacionalistas do espectro político a consideram uma violação da soberania do país.

Mas porque a convenção de Montreux gera tanta polêmica? É verdade que a sua revogação poderia gerar um conflito militar regional de grande escala? A Sputnik Brasil conversou com o pesquisador do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais Primakov da Academia de Ciências da Rússia (IMEMO-RAN, na sigla em russo), Pavel Gudev, para responder a essas perguntas.

"A Convenção de Montreux é multilateral e não pode ser cancelada por nenhum país isoladamente", disse Gudev à Sputnik Brasil. "Do ponto de vista do direito internacional, isso não pode ser feito."

Segundo ele, é possível "rever os seus termos, através da convocação de uma nova conferência. Mas simplesmente dizer que o Erdogan pode, com uma canetada, sair da Convenção de Montreux é uma provocação", disse o especialista.

Navio de contêineres passa pelo estreito do Bósforo, na cidade de Istambul, Turquia, 10 de agosto de 2018 (foto de arquivo)
© REUTERS / MURAD SEZER
Navio de contêineres passa pelo estreito do Bósforo, na cidade de Istambul, Turquia, 10 de agosto de 2018 (foto de arquivo)

A convenção garante o livre trânsito de navios comerciais pelos estreitos, sem que a Turquia possa cobrar tarifas sobre a passagem, o que gera insatisfação em parte da classe política do país.

Além de não lucrar com os estreitos, a Turquia ainda deve controlar a passagem de navios militares, que é severamente regulada pela convenção.

"Caso a Conferência de Montreux fosse cancelada, em tese, o regime que passaria a valer nos estreitos seria o da Conferência dos Direitos do Mar da ONU, que prevê que a livre navegação, uma norma bastante liberal de direito marítimo que não permite restrições de nenhum tipo, nem a navios militares", considerou Gudev.

Farol no estreito de Bósforo, Istambul, Turquia, 3 de julho de 2020
© SPUTNIK / VITALY ANKOV
Farol no estreito de Bósforo, Istambul, Turquia, 3 de julho de 2020

Por isso, "para a Turquia, sair da convenção de Montreux agora não faz sentido, não tem nenhuma conexão com a realidade".

Canal Istambul

Mas a Turquia não precisaria se retirar da Conferência de Montreux para cobrar tarifas e controlar totalmente a passagem pelos estreitos.

O governo Erdogan apoia a construção de um novo canal, chamado Canal Istambul. Paralelo ao Bósforo, o novo canal garantiria um acesso alternativo ao mar Negro.

"Ao mesmo tempo em que o Canal Istambul desafogaria o tráfego pesado do Bósforo, a Turquia também teria uma alternativa sob sua soberania, fora dos limites de Montreux", disse Erdogan durante conferência de imprensa nesta segunda-feira (5).

De fato, "o Bósforo nem sempre consegue dar conta de todo o tráfego marítimo. Já houve acidentes e vazamentos de combustíveis preocupantes [no estreito]", disse Gudev.

Istambul, a maior cidade da Turquia, com população estimada em 15,5 milhões de habitantes (foto de arquivo)
© SPUTNIK / ALEKSANDR VILF
Istambul, a maior cidade da Turquia, com população estimada em 15,5 milhões de habitantes (foto de arquivo)

"Cerca de 19 milhões de pessoas vivem na região. Caso essas vias aquáticas sejam poluídas por acidentes, há um dano colossal para uma população significativa, tanto pela poluição das águas, quanto da costa", concedeu o especialista.

Além disso, a Turquia poderia cobrar pelo tráfego marítimo no novo canal, "o que traria recursos financeiros para o país e seria positivo para o seu orçamento".

OTAN no mar Negro?

Mas a pergunta chave é se os turcos deixariam navios militares da OTAN entrarem no mar Negro a partir do novo canal.

"A distância entre o novo canal e a Crimeia seria de aproximadamente 350 milhas marítimas, sob o ponto de vista dos interesses russos esse é um risco que não vale a pena correr", considerou Gudev.

Apesar da preocupação, a Turquia tem um histórico positivo quanto ao controle do trânsito de navios militares no Bósforo e no Dardanelos. "A Turquia aplica com seriedade as restrições de passagem de navios militares", relatou o especialista.

Marinheiros da Marinha russa durante parada militar em Novorossisk, Rússia, 24 de setembro de 2020 (foto de arquivo)
© SPUTNIK / VITALY TIMKIV
Marinheiros da Marinha russa durante parada militar em Novorossisk, Rússia, 24 de setembro de 2020 (foto de arquivo)

"Em 2008, durante o conflito entre Rússia e Geórgia em função da Ossétia do Sul, os norte-americanos tentaram passar dois navios-hospitais pelos estreitos, de dimensões muito superiores às permitidas pela convenção de Montreux, para apoiar as operações georgianas", relatou Gudev. "A Turquia não autorizou a passagem."

As restrições ao tráfico de embarcações militares são mais brandas aos países do mar Negro, "que têm muito mais direitos de passagem do que países extra-regionais".

"Submarinos nucleares russos podem, por exemplo, passar pelos estreitos turcos. Mas os países de fora da região não podem trazer seus submarinos ao mar Negro", explicou Gudev.

Embarcações militares russas atracadas no mar Negro, na cidade de Novorossisk, Rússia, 24 de setembro de 2020 (foto de arquivo)
© SPUTNIK / VITALY TIMKIV
Embarcações militares russas atracadas no mar Negro, na cidade de Novorossisk, Rússia, 24 de setembro de 2020 (foto de arquivo)

Em 2018, as autoridades turcas inclusive fortaleceram o regime de controle e passaram a considerar navios civis com carga militar como embarcações militares.

"Apesar de essa nova norma interferir no tráfego de cargas militares russas para a Síria, a restrição atinge sobretudo os EUA, que demandam o envio de cargas militares para países como Bulgária, Romênia, Ucrânia, Geórgia", disse Gudev.

"Nesse caso, a Turquia acabou dificultando muito mais a vida dos EUA do que de qualquer outro ator", notou.

Segundo ele, os EUA "não dão apoio entusiasmado à manutenção da convenção de Montreux", pelas "restrições severas à entrada de navios militares e ao tempo de permanência desses navios no mar Negro".

"Para os norte-americanos e para a OTAN [...] as condições de Montreux não são favoráveis", afirmou Gudev.

Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, durante conferência de imprensa em Ancara, Turquia, 29 de março de 2021
© REUTERS / MURAT CET NMUHURDAR
Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, durante conferência de imprensa em Ancara, Turquia, 29 de março de 2021

Apesar dos riscos, o especialista acredita que o debate sobre a saída da Turquia de Montreux atual está mais ligado "às querelas da política interna turca do que à questão internacional".

"É uma queda de braço entre as elites políticas e militares", apostou o especialista. "Erdogan parece querer construir seu império e se transformar em um líder incontestável."

Por enquanto, "a Rússia não precisa reagir a essas declarações, que são voltadas para o público interno".

Nesta segunda-feira (5), o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, reafirmou o compromisso de seu país com a Convenção de Montreux. Segundo ele, a Turquia "não tem a intenção" de deixar o acordo, mas não hesitaria em rever suas condições para angariar "condições mais favoráveis à Turquia".

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Bolsonaro mudou Lei de Acesso à Informação para esconder fraude de assessora de Flávio

Flávio Bolsonaro provoca o Hamas: 'quero que vocês se explodam' (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

Bolsonaro usou a Presidência da República para restringir o acesso à informação para encobrir fraude feita no ponto de uma funcionária do gabinete de Flávio Bolsonaro que é suspeita de participar do esquema da rachadinha



Um requerimento feito pela reportagem do UOL com base na LAI (Lei de Acesso à Informação) motivou uma articulação para fraudar os registros de controle de ponto de uma ex-assessora do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

De acordo com reportagem, no mesmo dia em que a manobra foi concluída, o governo Bolsonaro restringiu por decreto a abrangência da lei, reduzindo a transparência sobre dados e documentos públicos.
Em 2018, o UOL solicitou acesso às folhas de ponto de Luiza Souza Paes, uma das ex-assessoras de Flávio Bolsonaro citadas no relatório do antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) com movimentações suspeitas de R$ 155,7 mil para Queiroz — mais de 76% de tudo que recebeu como assessora parlamentar.
De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, o servidor da assembleia Matheus Azeredo Coutinho avisou Luiza sobre o pedido da reportagem e como os pontos não tinham sido preenchidos, foi adulterado no dia 24 de janeiro de 2019, mesma data em que um decreto foi publicado no Diário Oficial da União restringindo o acesso a informações por meio da LAI.
Ainda segundo as investigações, o servidor Matheus entrou em contato com Luiza no dia 17 de janeiro, e o pedido feito pela reportagem, feito ao Departamento de Legislação de Pessoal —exatamente o setor em que Matheus trabalhava, seguiu parado no setor até a tarde de 24 de janeiro.
Na manhã do dia 24 de janeiro, Luiza foi à Alerj assinar os pontos que estavam em branco, encobrindo assim possíveis evidências de que era funcionária fantasma do gabinete do filho de Jair Bolsonaro.
Mensagens encontradas no celular de Luiza, indicam a participação do servidor da Alerj e mostram a articulação para que a fraude fosse consumada e aponta a participação de duas pessoas de confiança de Flávio Bolsonaro: o próprio Fabrício Queiroz e o advogado Gustavo Botto, que representava Flávio nas investigações da rachadinha naquela ocasião.
"Oi pai. O Gustavo me ligou agora. Ele falou que foi levantar a situação, né? A pequena conversou com ele e esse cara que tá me ligando ele trabalha lá e parece que os jornalistas começaram a perturbar o juízo aí eles foram levantar o meu ponto e parece que tá faltando alguma informação, eu não sei. Parece que é falta de algum ponto que não tá assinado. Aí ele supostamente está querendo ajudar antes de entregar isso pra jornalista. Só que eu não lembro de não ter assinado algum ponto, entendeu?", disse a ex-assessora na mensagem.

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

EUA cogitam restringir acesso da Huawei à tecnologia de chips



O Departamento de Comércio dos Estados Unidos está ponderando impôr novas restrições à gigante chinesa de tecnologia Huawei para limitar o uso de equipamentos norte-americanos utilizados na fabricação de chips e, assim, reduzir o acesso da empresa à tecnologia, considerada vital.

A informação foi publicada nesta segunda-feira (17) pelo jornal norte-americano Wall Street Journal.
A possível medida permitiria que a agência exija licenças de fábricas de chips em todo o mundo se quiserem usar equipamentos dos EUA para fabricar chips para a Huawei.
Membros da indústria dos EUA, no entanto, disseram ao jornal que a medida poderia causar um duro golpe na cadeia global de fornecimento de semicondutores e sair pela culatra, atingindo as próprias empresas norte-americanas.
Segundo as informações, não há unanimidade  quanto a medida dentro do governo dos EUA e próprio presidente Donald Trump ainda deve rever as medidas propostas. O jornal, entretanto, lembrou que o presidente quer permitir que as empresas norte-americanas vendam seus equipamentos para a Huawei, caso isso não ameace a segurança nacional dos EUA.
Os EUA acusam a Huawei de colaborar com as forças armadas e a inteligência chinesas e de usar seu equipamento para fins de vigilância ilegal, algo que a empresa refuta.
Em maio de 2019, Washington colocou a Huawei em uma lista negra junto a cerca de 70 de suas afiliadas adquirindo tecnologia nos EUA e negociando com empresas norte-americanas sem autorização expressa do governo. Desde então, os EUA adiaram a proibição comercial em larga escala da Huawei várias vezes, mais recentemente em 18 de novembro do ano passado.