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terça-feira, 30 de junho de 2020

Ganhador de Nobel de Medicina explica maneira certa de respirar em meio à COVID-19



Louis Ignarro, ganhador do Nobel de Medicina de 1998, explica a importância de inalar pelo nariz e expirar pela boca no combate a infecções virais.

As cavidades nasais produzem óxido nítrico (fórmula química NO), um gás incolor e solúvel que aumenta o fluxo sanguíneo através dos pulmões e eleva os níveis de oxigênio no sangue, possuindo igualmente poderes antivirais.
Em um artigo publicado no Science Alert, Louis J. Ignarro, professor de farmacologia molecular e médico da Universidade da Califórnia (EUA) explica por que é fundamental respirar pelo nariz durante a pandemia.
Ignarro foi um dos três farmacologistas ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina de 1998 por descobrir como o óxido nítrico é produzido no corpo e como funciona.

Papel do óxido nítrico

O NO é uma molécula de sinalização generalizada que desencadeia muitos efeitos fisiológicos, sendo também utilizado clinicamente como gás para dilatar as artérias pulmonares em recém-nascidos com hipertensão pulmonar.
"O NO é produzido continuamente pelo trilhão de células formadoras do revestimento interno ou endotélio, dos 160.000 quilômetros de artérias e veias em nossos corpos, especialmente nos pulmões", escreve Ignarro.
Outros tipos de células do corpo, incluindo glóbulos brancos circulantes e macrófagos de tecido, produzem óxido nítrico para fins antimicrobianos, prosseguiu Ignarro em seu artigo.

Como NO mata vírus

Em um estudo in vitro realizado em 2004 durante o surto de SARS, o NO aumentou a taxa de sobrevivência de células de mamíferos com núcleos infectados pelo vírus.

© REUTERS / SERGIO MORAES
Homem caminha em frente a grafite retratando profissional de limpeza de máscara espalhando coronavírus
Tal fato apontava que o óxido nítrico tivesse um efeito antiviral direto. Em um pequeno estudo clínico também realizado em 2004, o NO inalado foi eficaz contra o SARS-CoV em pacientes gravemente doentes com pneumonia.
coronavírus SARS, que causou o surto de 2003 e 2004, compartilha grande parte de seu genoma com o SARS-CoV-2, o coronavírus causador da doença COVID-19, indiciando que a inalação de óxido nítrico poderia ser eficaz no tratamento de pacientes com COVID-19.
O uso de inalação com NO está atualmente sendo alvo de testes clínicos para tratamento de pacientes com COVID-19.
Pesquisadores esperam que três propriedades características do NO possam ajudar a combater a infecção: a dilatação das artérias pulmonares e consequente aumento do fluxo sanguíneo através dos pulmões; o fato de dilatar as vias aéreas, aumentando o suprimento de oxigênio para os pulmões e sangue e, finalmente, matar ou inibir diretamente o crescimento e a propagação do coronavírus nos pulmões.
"De fato, vários testes clínicos de inalação de NO em pacientes com COVID-19 moderada a grave e que precisam de respiradores, estão atualmente em andamento em várias instituições. A esperança é que o NO inalado seja uma terapia eficaz e diminua a necessidade de respiradores e leitos nas UTIs", escreveu o professor.
O NO produzido na cavidade nasal é quimicamente idêntico ao utilizado clinicamente por inalação. Assim, quando respiramos pelo nariz, a substância vai diretamente para os pulmões, onde aumenta o fluxo de ar e sangue e mantém os microrganismos e as partículas de vírus distantes.

As mais visitadas

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Fernanda Keulla exibe corpão com maiô decotadíssimo e brinca: “Já pode voltar a respirar?”



Em quarentena por causa do novo coronavírus (Covid-19), Fernanda Keulla usou o Instagram na tarde desta quarta-feira (27) para compartilhar com seus seguidores uma foto em que aparece com um maiô decotadíssimo ao lado de uma árvore florida em Minas Gerais.

“JÁ PODE VOLTAR A RESPIRAR? Quem assite os meus stories sabe o motivo, fiz 20 minutos de alongamento e já estou me sentindo fitness”, brincou a ex-BBB na legenda. 

Nos comentários, houve uma série de elogios. “Barbie linda”, comparou um internauta. “Sem condições pra tanta perfeição”, escreveu outro.


segunda-feira, 20 de abril de 2020

Recuperada, jovem atriz da Globo relata momentos difíceis: ‘É horrível não conseguir respirar’



No dia 16 de março, comecei com uma tosse e uma dificuldade de puxar o ar mais fundo. Nessa época, o novo coronavírus já tinha sido classificado como uma pandemia e os casos no Brasil já começavam a aumentar. Na hora, rola aquela dúvida, parece que não é com a gente. Fiz um esforço para rememorar os passos: onde estive, com quem, o que estava fazendo… Muitas possibilidades, mas nenhuma certeza. E também não adiantava brigar com a memória. Tinha que procurar orientação médica para entender o que estava acontecendo.

O médico confirmou que eu estava com a maioria dos sintomas da doença. Tentei fazer o exame em quatro laboratórios, mas não consegui. Os testes estavam sendo feitos apenas em pacientes internados em estado grave e naqueles do grupo de risco. A primeira medida foi o isolamento social completo. Só dessa forma poderia garantir que, caso estivesse mesmo infectada, não transmitiria o vírus. A única pessoa que vi foi a minha mãe, que vinha na minha casa trazer as compras do mercado e me ajudar com algumas coisas. Claro que a gente ficava preocupada, tanto que mesmo seguindo todas as recomendações (usávamos máscara, mantínhamos distância e ela estava sempre de luva), ela depois higienizava as mãos várias vezes.

O oitavo dia foi o pior: tive uma dor de cabeça muito intensa de madrugada, não conseguia abrir o olho ou falar. Foi algo que nunca havia sentido antes. Em nenhum momento, tive medo de morrer; os sintomas, no geral, se manifestaram de maneira branda em mim. Mas fiquei ansiosa e angustiada: é horrível não conseguir respirar como estou acostumada, no automático, e me preocupava — e ainda me preocupo — por perceber que muitas pessoas não estão levando a sério a situação. Não podemos desafiar o próprio destino e o destino dos outros. Temos que cuidar das pessoas.

Estamos falando de uma pandemia mundial. Não é sobre mim, é sobre o outro. A saúde deve ser priorizada agora, mesmo que para isso tenhamos de abrir mão de algumas coisas. No momento, para quem puder, abra mão de estar na rua e fique em casa! Sou uma pessoa que adora estar com os outros, abraçando, beijando, compartilhando. Sinto muita falta disso no meu dia a dia, mas sei que por enquanto não é possível. Conversar com os amigos por chamada de vídeo ajuda bastante. Já participei até da comemoração do aniversário do (ator) João Vicente Castro assim! Estávamos longe, mas perto.

Nesse período, rezei, porque em tempos duros assim a gente tenta ficar mais perto de Deus. Arrumei a casa várias vezes, troquei coisas de lugar. Aprendi a fazer o meu prato preferido: purê de banana-da-terra! E ficou muito bom! Esse foi um grande feito porque, até então, só fazia ovo mexido, pipoca de microondas, brigadeiro, tapioca e gelo (risos). Fiz ioga, descobri músicas novas.

Vi um movimento lá fora através do Instagram da Emma Watson que ela postava uma plaquinha de #IStayHomeFor citanto os motivos e as pessoas por quem ela ficava em casa. Aqui no Brasil fizemos o #EuFicoEmCasa. Fiz pelos meus avós, pelos profissionais de saúde, pelos que não podem ficar.

Se for uma realidade possível para você, fique em casa também. Vai dar saudade de ir à cachoeira, à praia, de encontrar os amigos, de dançar aglomerado, de ter muito abraço e beijo. De dar e receber afeto pessoalmente. Quanto antes a gente se recolher, antes isso tudo vai passar. Sou otimista, acho que a gente vai vencer. Mas para isso é preciso ficar em casa. Por agora, a gente se alimenta das lembranças de tudo que amamos para continuar. De casa, pela tela, a gente se encontra, mata um pouco da saudade. E depois estaremos onde quisermos, juntos dos nossos.