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terça-feira, 21 de abril de 2020

Bezos, homem mais rico do planeta, não dá equipamentos de proteção à Covid-19 para seus funcionários, que fazem greve


Mesmo sendo propriedade do homem mais rico do planeta - que ficou mais rico com pandemia de coronavírus -, a Amazon vive um drama: seus funcionários estão em greve pelo 21º dia consecutivo por falta de equipamento de proteção à Covid-19


Brasil de Fato - Desde o dia 31 de março, empregados da Amazon estão em greve para reivindicar melhores condições de trabalho durante a pandemia causada pelo novo coronavírus. De propriedade do homem mais rico do mundo, Jeff Bezos, a companhia é a vigésima oitava maior do planeta. 
Os Estados Unidos são agora o epicentro do surto global com mais de 800 mil casos e 43 mil mortes confirmadas. Como ocorre na maioria dos países afetados, a falta de testes e o fato de as mortes não terem a causa identificada apontam para uma subnotificação da doença. 
Duas empresas subsidiárias da multinacional, Instacart e Whole Foods, também foram afetadas por paralisações. Os trabalhadores estão pedindo mais equipamentos de proteção pessoal, assim como um aumento salarial por prestarem serviços de risco, além de quarentenas remuneradas para aqueles que eventualmente contraírem o vírus. Mais de 150 mil funcionários estão parados. 
Um dos organizadores da greve, Christopher Smalls, era o subgerente do centro de processamento da Amazon em Staten Island, na cidade de Nova Iorque, que reúne o maior número de casos no país. Ele foi demitido dias após o primeiro protesto. “Nem o setor de saúde tem equipamentos de proteção pessoal suficientes. O que te faz pensar que nós do varejo vamos ter? Nós não temos máscaras, nós não temos luvas, as pessoas estão com medo de vir trabalhar”, relata.  
Smalls também afirma que, quando o primeiro caso confirmado surgiu no local de trabalho, o gerente do galpão pediu para que ele e outros administradores não contassem “nada aos empregados para não causar pânico”. Incrédulo diante do pedido, Christopher fez exatamente o oposto e alertou a todos que podia. "Eles têm o direito de saber”. Em sua carta anual aos acionistas publicada na última quinta feira (16) em formato de vídeo, a empresa contradiz esses relatos e insiste que todos seus trabalhadores estão com equipamentos de proteção pessoal adequados. 
Na visão de Kevin Gustafson, advogado e dirigente do movimento Democracy at Work, a pandemia da covid-19 é um bom momento para a classe trabalhadora se organizar e exercer seu poder na sociedade. Gustafson acredita que o que está ocorrendo na Amazon pode se espalhar para outros setores do mercado. 
“O grande poder que um movimento de trabalhadores possui é mostrar o quão importantes são para o mercado financeiro através de paralisações, nas quais fica claro o impacto que a remoção [deles] tem na economia”.
Para o advogado, em uma situação atípica como uma pandemia global, essa força trabalhista fica ainda mais evidente. “Estamos num momento interessante no qual quase conseguimos visualizar como seria uma greve geral nos Estados Unidos”, aponta o advogado. A última greve geral estadunidense ocorreu em 1919, logo após a Primeira Guerra Mundial e, coincidentemente, durante a última grande pandemia da história recente.
Embora mais de um século tenha se passado desde a gripe espanhola e da última paralisação em massa, pouco foi feito em termos de preparo para eventualidades como uma epidemia em nível mundial. “Nós sabemos há mais de cem anos que uma pandemia como a da gripe espanhola aconteceria de novo. Devíamos ter nos preparado para isso”, afirma Kevin Gustafson.
Apesar das tentativas do governo estadunidense de mitigar os danos causados pelo surto de coronavírus – recentemente um pacote de estímulo econômico de US$ 2 trilhões de dólares foi aprovado – a crise financeira decorrente expõe a fragilidade da economia do país. “O coronavírus está expondo a fragilidade e a fraqueza da nossa economia, especialmente a economia pós 2008”, aponta Gustafson. 
Ironicamente, a Amazon desfruta de lucros recordes em meio a pandemia, devido ao crescimento do comércio on-line. O dono da empresa, Jeff Bezos, aumentou sua fortuna em US$ 24 bilhões de dólares desde o início do surto. Trabalhadores como os do centro de processamento em Nova Iorque estão arriscando suas vidas para que isso aconteça.
Diante da visível injustiça, sentimentos de urgência e solidariedade naturalmente florescem entre os funcionários, que não têm outra opção a não ser entrar em greve. Questionado os motivos que o fizeram decidir pela paralisação no seu galpão em Staten Island, o ex-subgerente Chris Smalls declarou: “Por causa das pessoas".
"Eu vi pessoas adoecendo semanalmente e eles são minha família, passamos de 40 a 50 horas por semana juntos. Queria dar a eles uma voz, uma plataforma onde possam ser ouvidos. Isso foi um grito por ajuda”. Procurada pelo Brasil de Fato, a Amazon não respondeu aos questionamentos até a publicação desta reportagem.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Como EUA 'apreendem' cargas de equipamentos médicos destinadas ao Brasil e outros países?



Aumentam relatos de que EUA estariam oferecendo até três vezes mais dinheiro para desviar cargas de equipamentos médicos destinadas a outros países. Brasil, França e Alemanha já tiveram envios cancelados por causa da compra massiva dos EUA.

Compradores norte-americanos estão oferecendo até três vezes mais dinheiro para desviar para os EUA cargas de equipamentos médicos oriundas da China com destino a países como França e Brasil.

França denuncia carga desviada em aeroporto

Máscaras adquiridas por Paris estavam carregadas em aeronave no aeroporto de Xangai, quando compradores dos EUA apareceram e ofereceram o triplo do valor da carga para que ela fosse enviada a Washington, reportou o The Guardian.
Jean Rottner, médico e presidente do Conselho Regional de Medicina da França, afirmou que o país vai ficar sem a carga de milhões de máscaras, muito aguardada nos hospitais lotados do leste francês.
"Já na pista de pouso, eles chegam, mostram o dinheiro vivo [...] então realmente precisamos lutar", revelou Rottner.
Rottner não identificou os compradores, mas funcionário do governo francês indicou ao jornal britânico que se tratava de um grupo a serviço do governo dos EUA.
"A cereja do bolo é de um país estrangeiro que pagou três vezes mais o preço da carga na pista do aeroporto", disse o chefe da província francesa de Provença-Alpes-Costa Azul ao canal francês BFMTV.
Fonte do governo dos EUA disse à AFP que "o governo dos EUA não comprou nenhuma máscara que deveria ter sido enviada da China para a França. Informações contrárias a essa são completamente falsas".

Primeiro-ministro do Canadá expressa preocupação

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, descreveu informações como as divulgadas pelos franceses como "preocupantes" e pediu para que seu governo investigasse casos similares.
"Temos que garantir que equipamentos destinados ao Canadá sejam entregues e permaneçam no Canadá. Eu pedi a ministros que acompanhem esses relatos", afirmou Trudeau nesta quinta-feira (2).

Berlim relata caso similar

Na Alemanha, nesta sexta-feira (3), o jornal Tagesspiegel reportou que carga de equipamentos médicos encomendada por Berlim também teria sido desviada pelos EUA.
Os paramédicos Jochen e Julia verificam o equipamento de uma ambulância antes do início do seu turno, à medida que a propagação da doença COVID-19 continua, Worms, Alemanha, 24 de março de 2020 (imagem referencial)
© REUTERS / HANNIBAL HANSCHKE
Paramédicos verificam o equipamento de uma ambulância na Alemanha em meio ao coronavírus (imagem referencial)
Berlim havia encomendado máscaras respiratórias profissionais FFP2 e FFP3 de uma fabricante, que seria uma empresa norte-americana que produz na China. A carga teria sido interceptada pelos norte-americanos e desviada para os EUA, reportou o jornal.

Compras do Brasil 'caíram'

O ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, fez um relato similar em coletiva de imprensa, na quarta-feira (1º). De acordo com o ministro, compras feitas pelo Brasil na China de equipamentos de proteção individual, como máscaras e toucas, foram canceladas após os EUA adquirirem volume imenso desses produtos.
"Hoje os EUA mandaram 23 aviões cargueiros dos maiores para a China, para levar o material que eles adquiriram. As nossas compras, que tínhamos expectativa de concretizar para fazer o abastecimento, muitas caíram", afirmou Mandetta.
O ministro acrescentou que a situação é ainda pior no caso dos respiradores, uma vez que fornecedores que já haviam sido contratados cancelaram os pedidos.
Máscaras em linha de produção na cidade de Xangai, na China, 31 de janeiro de 2020
© REUTERS / ALY SONG
Máscaras em linha de produção na cidade de Xangai, na China, 31 de janeiro de 2020
"Nós estávamos comprados, tínhamos, quando começamos a pedir. Entregaram a primeira parte. Na segunda parte, mesmo com eles contratados, assinados, com o dinheiro para pagar, quem ganhou falou: não tenho mais os respiradores, não consigo te entregar", relatou o ministro.
O ministro lamentou que, por causa dos cancelamentos, o Brasil não irá avançar na questão do abastecimento de equipamentos médicos no curto prazo.
"Então nós voltamos de algo que a gente achava que já tinha. Demos um passo para trás", declarou o ministro. 
A pandemia de COVID-19 já registra mais de 1 milhão de infectados ao redor do mundo e 53.975 vítimas fatais. Os países com maior número de casos são os EUA, Espanha e Itália. O Brasil registra 8.066 casos e 327 vítimas fatais, até a manhã desta sexta-feira (3).

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Trump: EUA querem fornecer os 'melhores e mais temidos equipamentos militares' para a Índia



O presidente dos EUA, Donald Trump, revelou detalhes do seu plano para fornecer os "melhores e mais temidos equipamentos militares" para a Índia, no âmbito da cooperação entre os dois países para derrotar organizações armadas regionais.

O presidente dos EUA, Donald Trump, encontra-se em visita à Índia, onde tenta estreitar o relacionamento com a potência regional.
Os equipamentos a serem fornecidos por Washington a Nova Deli seriam desde drones e helicópteros até sistemas de mísseis, reportou a Reuters.
Recebido por uma multidão no evento chamado Namaste Trump, organizado em resposta ao evento similar Howdy Modi, realizado no Texas, Trump ainda anunciou que a Índia deve receber um novo lote de helicópteros norte-americanos avaliado em US$ 3 bilhões (cerca de R$ 13 bilhões).

© REUTERS / ALEXANDER DRAGO
Presidente dos EUA, Donald Trump, e a primeira-dama, Melania Trump, são conduzidos ao palanque pelo primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em Ahmedabad, na Índia, em 24 de fevereiro de 2020
O mandatário norte-americano também declarou ter a intenção de estreitar a cooperação espacial entre a Índia e os EUA.
As declarações são uma mudança de tom para Trump, que tem reclamado reiteradamente do alegado desequilíbrio na balança comercial entre Washington e Nova Deli. No ano passado, os EUA retiraram a Índia do Sistema Geral de Preferências, negando-lhe o direito de exportar cerca de US$ 5,6 bilhões (cerca de R$ 24 bilhões) para os EUA sem pagamento de taxas aduaneiras.
A primeira visita de Donald Trump à Índia como presidente foi precedida por negociações bilaterais para "fortalecer a confiança" entre as partes. Apesar das conversações precursoras não terem alcançado resultados concretos, Trump declarou, neste domingo (23), que as partes estão nas primeiras fases de negociação de um acordo "incrível".

© REUTERS / DANISH SIDDIQUI
Oferendas Oferendas são colocadas na frente de fotos do presidente dos EUA, Donald Trump, e do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, em 24 de fevereiro de 2020são colocadas na frente de fotos do presidente dos EUA, Donald Trump, e do primeiro-ministro indiano, Narenda Modi, em 24 de fevereiro de 2020
Apesar das demandas comerciais de Trump terem gerado desconforto no governo de Modi, elas não impactaram negativamente outras áreas das relações bilaterais, como a cooperação em segurança.
As forças armadas da Índia e dos EUA estariam cooperando, mais do que nunca, como parte de um esforço de Washington para conter a China na região da Ásia-Pacífico.