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quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Exército do Brasil: simulação contra grupos de esquerda não tinha 'conotação político-ideológica'

 


Treinamento foi executado em 2020 na cidade de Piquete, no estado de São Paulo, e criou entidades com nomes alusivos a grupos reais em um país fictício chamado "Brasânia". O Partido dos Trabalhadores (PT), por exemplo, era chamado de Partido Operário (PO).

Em novembro de 2020, o Exército Brasileiro realizou um exercício intitulado "Mantiqueira" com o Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOpEsp) para ensinar a combater ameaças de esquerda, militantes e organização "marxista", segundo o UOL.
A simulação foi questionada pelo deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), o qual solicitou por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) cópias de pareceres que serviram como fundamento para embasar a ação, realizada em Piquete (SP).
Como resposta, o Exército afirmou que o treinamento ocorreu "sem nenhuma conotação político-ideológica nem de nacionalidade".

Entretanto, o parlamentar interpretou que a resposta "minimizou o caso" e questionou por que não se faz o mesmo visando "uma operação antifascista".
De acordo com a mídia, o treinamento foi pautado em um país fictício chamado "Brasânia".
O presidente Jair Bolsonaro,  participa da cerimônia comemorativa aos 20 anos de criação do Ministério da Defesa e imposição da Ordem do Mérito da Defesa, 10 de junho de 2019 - Sputnik Brasil, 1920, 10.06.2021
Notícias do Brasil
Em evento, Bolsonaro volta a afirmar que 'Exército é a garantia da Constituição' do Brasil (VÍDEO)
Na descrição da história da nação "Brasânia", é possível encontrar vários paralelos com a trajetória brasileira, passando pela Guerrilha do Araguaia, as chamadas "ameaças comunistas", popularizadas nas décadas de 1960 e 1970, e manifestações marcadas pelo uso de mídias sociais.

"As informações constantes na documentação do exercício são meramente fictícias e serviram somente para contextualizar o Exercício de Operações Contra Forças Irregulares do Curso de Forças Especiais, no ano de 2020, sem nenhuma conotação político-ideológica nem de nacionalidade. Desse modo, o exercício visa tão somente aos militares desenvolverem a capacidade em combater Forças Irregulares, de Insurgência, de Guerrilha e/ou grupos armados contra o Estado de Direito", diz um trecho da carta enviada pelo Exército.

No entanto, o site Congresso em Foco, afirma que as características conferidas para montar a simulação eram bastante específicas.
O Exército criou entidades com nomes alusivos a grupos reais que se opõem ao atual governo: o PT se tornou Partido Operário (PO), já o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se tornou Movimento de Luta pela Terra, e os dois seriam apoiados pelo jornal "Mídia Samurai", fazendo referência ao grupo de narrativas independentes Mídia Ninja.

sábado, 3 de abril de 2021

Mianmar: grupos rebeldes apoiam manifestações e condenam repressão de militares

 


Dez dos principais grupos rebeldes de Mianmar manifestaram apoio ao movimento antigolpe do país neste sábado (3), alimentando temores de um conflito mais amplo na nação asiática.

Mianmar está em crise desde que os militares derrubaram o governo civil liderado pela ex-conselheira de Estado Aung San Suu Kyi em 1º de fevereiro, o que desencadeou uma revolta popular que a junta vem tentando reprimir de forma violenta.

De acordo com um grupo de monitoramento local, mais de 550 pessoas foram mortas nos protestos antigolpe, um derramamento de sangue que irritou alguns dos cerca de 20 grupos étnicos de Mianmar e suas milícias, que controlam grandes áreas do território, principalmente nas regiões fronteiriças.

Hoje (3), dez desses grupos rebeldes se reuniram virtualmente para discutir a situação, condenando o uso de munição real pela junta contra os manifestantes.

"Os líderes do conselho militar devem ser responsabilizados", disse o general Yawd Serk, líder do grupo rebelde Conselho de Restauração do Estado Shan, citado pela agência de notícias France-Presse.
O general Yawd Serk, líder do grupo rebelde Conselho de Restauração do Estado Shan
© REUTERS / SOE ZEYA TUN
O general Yawd Serk, líder do grupo rebelde Conselho de Restauração do Estado Shan

Na semana passada, a junta declarou um cessar-fogo de um mês com os grupos armados étnicos, embora exceções possam ser feitas se "a segurança e a máquina administrativa do governo [...] forem invadidas", assinalou o governo militar.

O anúncio, no entanto, não incluiu o fim do uso de força letal contra as manifestações antigolpe.

Contudo, Yawd Serk disse que o cessar-fogo exigia das forças de segurança o fim de "todas as ações violentas", inclusive contra os manifestantes.

Os dez grupos rebeldes que se reuniram virtualmente são signatários de um acordo de cessar-fogo em todo o país, que foi intermediado pelo governo de Suu Kyi, em uma tentativa de negociar o fim da longa luta armada das milícias étnicas por maior autonomia.

Homem acena ao passar por pneus em chamas durante protesto contra golpe militar em Mianmar, 1º de abril de 2021
© REUTERS / STRINGER
Homem acena ao passar por pneus em chamas durante protesto contra golpe militar em Mianmar, 1º de abril de 2021

No entanto, a desconfiança é profunda no que diz respeito às minorias étnicas de Mianmar, e Yawd Serk assinalou que os dez grupos signatários do cessar-fogo nacional estavam dispostos a "revisar" o acordo durante a reunião.

"Eu gostaria de afirmar que os [dez grupos] estão firmes ao lado das pessoas que estão [...] exigindo o fim da ditadura", disse o líder rebelde.

Na semana passada, um enviado especial da ONU em Mianmar alertou o Conselho de Segurança sobre o risco de uma guerra civil e de um "banho de sangue" iminente no país do sudeste asiático.

terça-feira, 10 de março de 2020

Grupos femininos de cavalgadas crescem pelo interior do Brasil



Atividade foi por muito tempo restrita a homens. Hoje em dia, cavaleiras cruzam cidades para fazer novas amizades e celebrar o cavalo.
Neste domingo (8) é comemorado o Dia Internacional da Mulher, e o Globo Rural foi acompanhar uma atividade que antes era quase exclusiva dos homens, mas que agora tem grande participação feminina: a cavalgada.
Ao longo da história humana, depois da caminhada, cavalgar talvez seja o meio mais antigo de aproximar as pessoas. O cavalo nos ajuda na arte de promover o encontro e de fazer amizades.
Douglas Cássio Alves é presidente da Cavalaria de São Benedito, um evento que juntou mais de 2.500 cavaleiros, atraindo multidões pelo sul de Minas Gerais. O movimento para devotar o santo começou em 1727.
Nessa tradição com quase 300 anos de história, havia uma proibição: mulher não podia participar. Mas, entre os devotos do cavalo, ou, melhor dizendo, entre as devotas do cavalo, uma coisa diferente está acontecendo. E, quem sabe, surgindo até uma nova tradição.
É o caso da “Cavalgada das Patroas”, de São Lourenço, no sul de Minas Gerais, que acontece anualmente e reuniu em sua última edição mais de 180 cavaleiras percorrendo a Serra da Mantiqueira. Uma cena impensável anos atrás.
Foram 28 quilômetros entre São Lourenço e São Sebastião do Verde. Na estrada, a zootecnista Daniele Nunes Paiva ou, para os conhecidos, “Dani Boiadeira”, é uma das idealizadoras da cavalgada. Ela explica que herdou o gosto pelo cavalo do avô, que era negociantes de animais.
Com a ideia na cabeça, o passo seguinte de Daniele era mobilizar outras mulheres para a jornada. As redes sociais ajudaram a conectar as interessadas e a encontrar patrocinadores. O negócio cresceu e se transformou em um empreendimento anual.
Após a primeira pausa na jornada, foi momento para conhecer quem são algumas das mulheres que estão na Cavalgada das Patroas.
Solange Lajunza mora em Parelheiros, extremo sul da cidade de São Paulo, a 450 quilômetros de São Lourenço. Diretora de escola aposentada, ela vive com e para os animais – 3 burros e 2 cavalos.
A veterinária Priscila Gomes Carvalho é outra participante. Ela tem uma loja de produtos para animais, atende a domicílio, e é a responsável pelo escore corporal da tropa que está aqui.
No fim da jornada, muita música para animar. A dupla Lu & Marcinha brindam a noite com duetos sentimentais.
“É emocionante demais, é igual uma amiga minha fala: ‘o pelo do braço serve pra ser arrepiado’ e é uma coisa que o coração treme, ver todo mundo reunida, ver aquela fila que cobre a rua toda a cavalo, é um amor que se resume a um destino”, diz Diana Maciel Carvalho, uma das participantes.
Esses grupos de cavaleiras estão se multiplicando Brasil afora, como a Cavalgada de Mulheres em Cariacica, no Espírito Santo, a Amélia Rodrigues, na Bahia, entre outras.
G1