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quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Com que armas ficaram os talibãs após rendição do Exército afegão?

 


Após a tomada do poder no Afeganistão, os talibãs fiсaram com as armas e equipamento do Exército do país. Já em breve, os islamistas vão criar suas próprias forças armadas bem equipadas.

Os líderes do movimento Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) declararam vitória após 20 anos da guerra no Afeganistão. As bandeiras da organização extremista são içadas sobre Cabul, o ex-presidente afegão Ashraf Ghani fugiu, enquanto militares e civis dos países ocidentais estão sendo retirados de urgência de Cabul.

Troféus fáceis

Há 20 anos, em 2001, o regime dos talibãs não durou nem alguns meses. As forças da Aliança do Norte, com ajuda da aviação norte-americana, forçaram os islamistas a se esconder e em parte recuar para o Paquistão vizinho. Eles sentiam uma enorme escassez das armas e de material técnico: os aviões da Força Aérea dos EUA e seus aliados destruíam eficientemente os comboios com armas e alimentos.

No entanto, os talibãs começaram uma guerrilha em grande escala em todo o país e passaram a obter armas ocidentais com frequência. Além do mais, intensificaram-se as entregas de armamento a partir do Paquistão.

Até 2010, em qualquer mercado afegão era possível comprar por um pequeno montante uma mira americana para arma, um rifle de assalto alemão ou um rádio japonês. O estoque se ampliava regularmente em resultado das emboscadas terroristas a comboios da OTAN. Quando o Talibã passou para a ofensiva em massa em maio deste ano, os jihadistas não estavam pior armados que os soldados do Exército afegão.

Insurgentes do Talibã em um veículo da polícia em Cabul, 16 de agosto de 2021
© REUTERS / STRINGER
Insurgentes do Talibã em um veículo da polícia em Cabul, 16 de agosto de 2021

Só que estavam melhor motivados. O Exército governamental se tornou totalmente incapaz de se defender após o início da retirada das tropas norte-americanas. Unidades inteiras passaram para o lado dos talibãs com armas e equipamento militar.

Nas redes sociais, os islamistas postaram fotos e vídeos de troféus capturados por eles nas antigas bases dos EUA. Assim, em Kunduz, eles obtiveram dezenas de veículos blindados, um tanque T-55 e um pequeno drone Scan Eagle. Na base de Bagram, ficaram com centenas de unidades de equipamento especial e peças. Em Mazar-i-Sharif e Kandahar – com helicópteros e bombardeiros leves.

Grande arsenal

O Talibã capturou todos os bens do Exército afegão, com exceção do material técnico que os militares afegãos conseguiram deslocar através da fronteira para outros países, para o Irã particularmente.

Conforme o boletim anual The Military Balance, as tropas governamentais possuíram 40 tanques médios T-55 e T-62, 620 veículos blindados MSFV, 200 carros blindados MaxxPro e uns 1.000 veículos Hummer. Havia até 50 lança-foguetes Grad, 85 canhões de artilharia D-30 de 122 mm e 24 M114A1 de 155 mm, bem como 600 morteiros. Agora, esse arsenal está nas mãos dos talibãs.

Além disso, eles capturaram milhares de armas ligeiras de produção ocidental, toneladas de munição, equipamentos de visão noturna, de infravermelhos, uniformes, entre outros.

Militante do Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) na autoestrada de Herat, Afeganistão, 14 de agosto de 2021
© AFP 2021
Militante do Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) na autoestrada de Herat, Afeganistão, 14 de agosto de 2021

A Força Aérea do país incorporava 22 aeronaves turboélice de ataque leves EMB-314 Super Tucano, quatro aviões de transporte C-130H Hercules, 24 leves Cessna 208B e 18 PC-12. Na aviação do Exército havia seis aviões de ataque Mi-35, 76 Mi-17, 41 leves MD-530F e até 30 multifuncionais UH-60A Black Hawk. É certo que nem todo o material será útil. Mesmo assim, se até uma parte das aeronaves for capaz de voar, o Talibã tem agora capacidades completamente novas.

A aviação nas mãos da organização terrorista é uma grande ameaça para os países vizinhos. Vale relembrar que o pretexto para a invasão americana foram os ataques terroristas em 11 de setembro de 2001, quando os extremistas capturaram vários aviões de passageiros e os direcionaram contra as Torres Gêmeas em Nova York.

Hipoteticamente, cada aeronave do Talibã é uma arma que pode ser preenchida com explosivos e ser utilizada para ataques. Os militares afegãos não perceberam isso e deixaram o equipamento intacto, sem sequer o tentar destruir. Além disso, muitos pilotos voluntariamente se juntaram aos islamistas.

Hoje os talibãs afirmam que não planejam invadir outros países, mas não se sabe o que eles podem decidir amanhã. Conforme as palavras do especialista da Associação dos Analistas Políticos Militares, Oleg Glazunov, os talibãs têm células adormecidas em todos os países da Ásia Central, incluindo no Tajiquistão, Uzbequistão e Turcomenistão. Junto com os refugiados do Afeganistão podem chegar a estes países futuros terroristas. "Por quê? Acho que os talibãs têm um plano de longo alcance que vai além do Afeganistão: criar um cinturão de Estados islâmicos na Ásia Central."

Arqueólogos encontram enorme sítio neolítico de 5 mil anos em ilha escocesa (FOTOS)

 


Os especialistas começaram a escavar na ilha de Arran no último domingo (16) para descobrir se os monumentos cursus já existiram por lá, depois de pistas obtidas por uma varredura aérea a laser.

Arqueólogos encontraram em Drumadoon, na Ilha de Arran, na Escócia, um possível local para rituais em grande escala, onde pessoas podem ter se reunido cerca de 5 mil anos atrás em incríveis "shows cerimoniais". O projeto de escavação teve início no último domingo (16) depois que uma varredura aérea a laser apontou para a existência de um enorme monumento antigo cursus no local.

Os monumentos cursus eram tipicamente formados por dois montes paralelos de terra, ou postes de madeira nos primeiros casos, que se estendiam por cerca de 800 metros em Drumadoon. Os pesquisadores estimam que os mais antigos remontam a 3800 a.C.

Acredita-se que os monumentos tenham sido usados para procissões, possivelmente ligadas à homenagem aos mortos. Especialistas disseram que o sítio encontrado em Drumadoon pode ter sido usado como um ponto de observação para o círculo de pedra Machrie Moor.

Ótimo começo para a Northlight Heritage e a arqueologia da Universidade de Glasgow. Avaliação do possível monumento cursus do Neolítico na ilha de Arran.

Cada um dos dois bancos de terra em Drumadoon tem cerca de sete a oito metros de largura, cerca de meio metro de altura e teriam criado uma "rota enorme" em toda a paisagem. Evidências de antigos monumentos cursus de madeira no local também estão sendo investigadas.

​Dia 2 nos cursus de Drumadoon, encontramos uma pedra espalhada cobrindo o lado interno do banco. Provavelmente muito mais tarde, então temos a estratigrafia!

"Os monumentos cursus pareciam unir as pessoas em um grande projeto de trabalho, onde as pessoas estavam cavando com paus e usando ferramentas de osso. Eles teriam levado anos para serem construídos", contou dr. Brophy envolvido nas investigações ao The Scotsman.

Os pesquisadores acreditam que os monumentos podem ter sido usados como algum tipo de espaço para cerimônia em homenagem aos mortos. O dr. Brophy disse que a confirmação de monumentos cursus no local torna "uma das paisagens sagradas mais significativas do povo Neolítico".

Também trabalhando nas escavações está o dr. Gavin MacGregor, diretor da fundação escocesa ligada à patrimônios da humanidade Northlight Heritage, e ele disse que "Arran tem uma concentração impressionante de monumentos Neolíticos".

UE precisa agir rapidamente contra influência russa e chinesa no Afeganistão, diz Borrell

 


O chefe da diplomacia da União Europeia afirmou que 106 funcionários das delegações do bloco e suas famílias deixaram com segurança Cabul e chegaram em Madri.

A União Europeia (UE) deve intervir imediatamente e não permitir que a Rússia e a China assumam o controle da situação no Afeganistão e se tornem os principais atores em Cabul, disse o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell nesta quinta-feira (19).

"O que não podemos fazer é deixar os chineses e russos assumirem o controle da situação [...]. Poderíamos nos tornar irrelevantes", disse Borrell a uma comissão do Parlamento Europeu e citado pela agência AP.

O chefe da diplomacia da UE criticou o presidente dos EUA, Joe Biden, por minimizar o compromisso com a construção de uma nação no Afeganistão. Borrell insistiu que incutir o estado de direito e alcançar direitos básicos para mulheres e minorias eram objetivos da intervenção militar ocidental no país, juntamente com o objetivo inicial de acabar com terrorismo na região.

Joe Biden, presidente dos EUA, responde a perguntas de repórteres na Sala Leste da Casa Branca em Washington, EUA, 10 de agosto de 2021
© REUTERS / EVELYN HOCKSTEIN
Joe Biden, presidente dos EUA, responde a perguntas de repórteres na Sala Leste da Casa Branca em Washington, EUA, 10 de agosto de 2021
"Presidente Biden disse no outro dia que nunca foi o propósito, [que] construir um Estado não era o propósito. Bem, isso é discutível [...]. Vinte anos depois, você pode dizer que podemos ter conseguido sucesso na primeira parte da nossa missão, mas falhamos na segunda."

As declarações foram dadas durante uma reunião para definir as próximas ações do bloco europeu e Borrell observou que espera trabalhar em estreita colaboração com os EUA para intensificar os esforços diplomáticos.

O alto representante do bloco considerou a situação no Afeganistão uma "catástrofe", que o ressurgimento do Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) é um "pesadelo" e que Bruxelas agora tem que enfrentar uma "dolorosa realidade no terreno".

Centenas de pessoas se reúnem perto de um avião de transporte C-17 da Força Aérea dos EUA em um perímetro no aeroporto internacional de Cabul, Afeganistão, 16 de agosto de 2021
© AP PHOTO / SHEKIB RAHMANI
Centenas de pessoas se reúnem perto de um avião de transporte C-17 da Força Aérea dos EUA em um perímetro no aeroporto internacional de Cabul, Afeganistão, 16 de agosto de 2021

Evacuação de Cabul

O chefe da diplomacia da UE afirmou que 106 funcionários das delegações do bloco europeu e suas famílias deixaram com segurança o Afeganistão e chegaram em Madri, Espanha, enquanto pelo menos 300 permanecem em Cabul.

"Ainda há 300 mais funcionários afegãos das delegações da UE bloqueados nas ruas de Cabul tentando chegar ao aeroporto e tentar embarcar em alguns dos voos dos Estados-membros da UE", disse Borrell.

O chefe da diplomacia da UE concluiu afirmando que essas pessoas "promoveram e defenderam os interesses e valores da UE no Afeganistão ao longo de muitos anos" e que o bloco europeu tinha o dever moral de "protegê-los e salvar o maior número possível de pessoas".

Imagens contrastantes: por que as saídas da URSS e dos EUA do Afeganistão foram tão diferentes?

 


A retirada desorganizada dos EUA do Afeganistão contrasta fortemente com a forma como a URSS deixou o país em fevereiro de 1989, diz o jornalista independente norte-americano Max Parry.

No domingo (15), os EUA evacuaram apressadamente seu pessoal da embaixada na capital afegã Cabul, quando os Talibãs (organização terrorista, proibida na Rússia e em vários outros países) entraram na cidade.

Nos últimos dias da Guerra do Vietnã, helicópteros americanos foram usados para evacuar quase 7.000 pessoas da embaixada dos EUA em Saigon, nos dias 29 e 30 de abril de 1975. O mesmo ocorreu hoje [15] em Cabul.

Em abril de 1975, o fotógrafo holandês Hubert van Es tirou uma foto de pessoas subindo uma escada para um helicóptero dos EUA em um telhado em Saigon, no final da Guerra do Vietnã.

A Casa Branca não parecia preparada para mais um "momento Saigon": na última quinta-feira (12), os serviços de inteligência dos EUA previram que Cabul cairia em 90 dias; depois corrigiram seu prognóstico para 72 horas. No entanto, a capital caiu mais rápido que isso, provocando o colapso do governo de Ashraf Ghani e o pânico no aeroporto de Cabul.

Ironicamente, há mais de 40 anos, Washington planejou criar um "atoleiro vietnamita" semelhante para a URSS no Afeganistão. A Operação Cyclone, destinada a armar e financiar insurgentes afegãos, foi lançada meses antes da entrada das tropas soviéticas no Afeganistão a pedido de Cabul, de acordo com as memórias de Robert Gates, ex-vice-diretor da CIA.

Zbigniew Brzezinski, ex-assessor de Segurança Nacional dos EUA na administração de Jimmy Carter (1977-1981), disse que o truque era "induzir uma intervenção militar soviética". No entanto, após dez anos de guerra, as forças soviéticas conduziram uma retirada ordeira entre 15 de maio de 1988 e 15 de fevereiro de 1989.

Retirada da URSS vs. retirada dos EUA

"A principal diferença entre a retirada soviética em 1989 e a retirada dos EUA hoje é a natureza completamente desorganizada e aleatória desta última", diz à Sputnik o jornalista independente americano Max Parry, referindo-se à desordenada evacuação do pessoal da embaixada e ao envio de um contingente militar adicional para o país para encerrar a retirada o mais rápido possível.

Max Parry, jornalista independente dos EUA, aponta a "natureza completamente desorganizada e aleatória" do país norte-americano, em contraste com a URSS, que apesar de ter sido envolvida em um prolongado e exaustivo impasse com os militantes mujahideen, conseguiu realizar sua retirada "de forma ordenada e responsável".

"Os americanos fizeram de tudo para garantir que a retirada não ocorresse ou, se ocorresse, com enormes perdas para nós", contou o coronel-general Boris Gromov, último comandante do 40º Exército no Afeganistão, em uma entrevista de 2019 à Sputnik.

A tarefa soviética também foi dificultada devido aos mujahideen serem armados pelos EUA, uma ideia revelada em uma entrevista de 15 de janeiro de 1998 ao jornal Le Nouvel Observateur por Brzezinski.

"Lamentar o quê?" perguntou o ex-alto responsável.

"Essa operação secreta foi uma excelente ideia. Ela teve o efeito de atrair os russos para a armadilha afegã e você quer que eu me arrependa? [...] O que é mais importante na história mundial? O Talibã ou o colapso do império soviético"?

Na época, o geoestrategista não poderia ter imaginado que essa operação secreta acabaria se virando contra os EUA.

Militares norte-americanos defendem a aeronave no Aeroporto Internacional Hamid Karzai em Cabul, Afeganistão
© REUTERS / FORÇA AÉREA DOS EUA
Militares norte-americanos defendem a aeronave no Aeroporto Internacional Hamid Karzai em Cabul, Afeganistão

Parry comentou, no entanto, que a URSS, em contraste com os EUA, "deixou intacto um governo relativamente estável para presidir ao país", envolvendo um acordo com Ahmad Shah Massoud, um dos líderes dos mujahideen e um dos principais senhores da guerra afegãos, para retirar suas tropas.

Realidade norte-americana no Afeganistão

Por sua vez, o conteúdo dos acordos entre Washington e o Talibã ainda não está claro, após uma queda do governo do Afeganistão muito mais rápida que o previsto e o desagrado do grupo militante pelo adiamento do prazo de saída de maio para setembro de 2021. Ashraf Ghani, até recentemente presidente do Afeganistão, abandonou o país e quebrou acordos anteriores sobre uma transferência de poder ordenada. Além disso, parecia não haver confiança mútua entre Ghani e os EUA.

Parry sublinhou que, apesar de o povo norte-americano desejar o fim da guerra no Afeganistão, a forma caótica como a retirada ocorreu levou a críticas tanto da esquerda como da direita, aumentando a possibilidade de ganhos pelo Partido Republicano nas eleições de meio de mandato de 2022.

"Quando os EUA recentemente desocuparam a base aérea de Bagram, eles o fizeram sem sequer deixar o comandante afegão encarregado do aeródromo saber disso com antecedência, o que indica uma séria ruptura na comunicação entre Washington e o governo de Ghani em Cabul", referiu o analista. Segundo ele, o episódio "deveria servir como um aviso aos governos lacaios de Washington em todo o mundo de que também eles poderiam ser abandonados ao cair do chapéu".