Total de visualizações de página

Mostrando postagens com marcador revoga. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador revoga. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Ministério Público acusa: para favorecer milícias, Bolsonaro revoga portarias do Exército sobre armas

Jair Bolsonaro, durante cerimônia do Dia do Soldado, com imposição da Medalha do Pacificador e da Medalha do Exército Brasileiro (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Ministério Público Federal acusa Bolsonaro de violar a Constituição ao interferir em atos de exclusividade do Exército. Ele revogou portarias do Comando Logístico do Exército que instituíam maior controle sobre rastreamento, importação e identificação de armas de fogo. Ato favorece as milícias


Jair Bolsonaro entrou na mira do Ministério Público Federal por interferência no Exército. Procuradores abriram dois procedimentos de investigação para apurar uma ordem dada por Bolsonaro ao Comando Logístico do Exército (Colog), no último dia 17, que revoga três portarias publicadas entre março e abril sobre monitoramento de armas e munições.
Segundo a procuradora regional da República Raquel Branquinho, Bolsonaro pode ter agido para beneficiar "para beneficiar uma parcela de eleitores"  (as milícias), informa O Estado de S.Paulo.  
Para a procuradora, não há espaço na Constituição “para ideias e atitudes voluntaristas” dele. O caso pode levar a uma ação de improbidade na Justiça Federal ou à abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Determinei a revogação das portarias (...) por não se adequarem às minhas diretrizes definidas em decretos”, escreveu Bolsonaro no Twitter em 17 de abril, referindo-se a  portarias que estabeleciam o controle, rastreabilidade e identificação de armas e munições importadas e fabricadas pela indústria nacional, sob a finalidade de atividades esportivas, de colecionador e também para abastecer os quartéis. 
Ao revogá-las, Bolsonaro facilita o acesso do crime organizado a armas e munições desviadas, consideram os procuradores. 

terça-feira, 21 de abril de 2020

PROJETO REVOGA PORTARIA DE BOLSONARO QUE DIFICULTA FISCALIZAÇÃO DE ARMAS



O presidente Jair Bolsonaro revogou duas portarias criadas pelo Exército, que ampliavam o controle e rastreamento de armas de fogo, e tinha como intuito impedir que os armamentos caíssem nas mãos de criminosos. A revogação gerou reação negativa entre parlamentares e o Ministério Público Federal (MPF).  O líder do PSB, Alessandro Molon (RJ), criou um projeto de decreto legislativo (PDL), para sustar a portaria que cancela os programas de rastreamento.

Em 18 de março de 2020, o Comando Logístico do Exército Brasileiro editou a Portaria nº 46/20, que criou o Sistema de Rastreamento de Produtos Controlados (SisNar). O projeto coloca os fabricantes de Produtos Controlados na obrigação de criar um sistema de tecnologia da informação que imprima uma espécie de QR Code nesses produtos, que deverá ser enviado ao Exército Brasileiro para que
realize de maneira eficaz o controle de produtos armamentísticos no país.

Também foi editada a Portarias nº 60/20, que estabelece os Dispositivos de Segurança, Identificação e Marcação de Armas de Fogo Fabricadas no País, Exportadas ou Importadas, de acordo com o previsto na Portaria 46/20, bem como a Portaria nº 61/20, que regula a marcação de embalagens e cartuchos de munição no território nacional, possibilitando seu rastreamento, de acordo com o previsto também na Portaria nº 46/20.

Porém, o presidente Jair Bolsonaro não gostou da atitude do Exército e revogou as portarias. O autor do PDL, que visa cancelar a revogação, Alessandro Molon, relembra a aprovação do PL 3723/19 na Câmara dos Deputados, que regulamentou a atividade de atiradores esportivos, caçadores
e colecionadores, facilitando a aquisição de armas de fogo e de munições, como um exemplo para que se aumente o controle para as armas de fogo.

Para Molon, o PL “consequentemente fará crescer o número de produtos controlados em circulação no país, sendo portanto de extrema necessidade que a autoridade competente, neste caso específico, o Exército Brasileiro, tome providências para que o cadastro desses produtos garanta sua rastreabilidade, para minimizar os riscos à sociedade”.

“Não há nenhuma razão que justifique esse retrocesso [a revogação das portarias]. Políticas que coloquem armas nas mãos das pessoas de maneira irresponsável e sem estatísticas que justifiquem tal ato, precisam vir acompanhadas de políticas que garantam segurança para os cidadãos”, diz o líder.

O texto de Molon já foi apresentado na Câmara dos Deputados. Os projetos de decreto legislativo são aprovados com maioria simples, desde que esteja presente no Plenário a maioria absoluta dos deputados. O projeto não vai à sanção do presidente e é transformado em lei após a aprovação do Congresso.

MPF critica ato de Bolsonaro

O Ministério Público Federal, também se colocou contra a revogação que Jair Bolsonaor fez. Segundo o MPF, o Comando Logístico havia preenchido “relevante lacuna na regulamentação do rastreamento de produtos controlados pelo Exército (PCE) e na implementação do Sistema Nacional de Rastreamento de Produtos Controlados pelo Exército”.

“Essas providências, imprescindíveis para a fiscalização do uso de armas de fogo e para a investigação de ilícitos com o emprego de armas de fogo, eram reclamadas por especialistas em segurança pública e também pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão e pela 7ª Câmara de Coordenação e Revisão, órgãos do Ministério Público Federal”, afirma o MPF.

O MPF então solicitou que a presidência da República publicize qual foi a base que utilizou para cancelar as portarias do Exército.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Bolsonaro revoga artigo da MP que deixa trabalhador sem salário por quatro meses


Por meio do Twitter, Jair Bolsonaro comunicou a revogação do artigo 18 da MP 927, que dizia que "durante o estado de calamidade pública, o contrato de trabalho poderá ser suspenso, pelo prazo de até quatro meses"


Jair Bolsonaro determinou a revogação do artigo 18 da MP 927, que permite que empresário pague qualquer valor ao empregado durante quatro meses em meio à crise do coronavírus.
"Durante o estado de calamidade pública, o contrato de trabalho poderá ser suspenso, pelo prazo de até quatro meses, para participação do empregado em curso ou programa de qualificação profissional não presencial oferecido pelo empregador, diretamente ou por meio de entidades responsáveis pela qualificação, com duração equivalente à suspensão contratual", determina o artigo 18 da MP 927.
O artigo ainda diz que a suspensão do contrato "não dependerá de acordo ou convenção coletiva; poderá ser acordada individualmente com o empregado ou o grupo de empregados; será registrada em carteira de trabalho física ou eletrônica".
Enquanto o governo Bolsonaro cogita permitir a suspensão do contrato de trabalho entre empregadores e empregados durante a crise do coronavírus, a Inglaterra pretende pagar 80% dos salários dos trabalhadores que ficarão em casa e os Estados Unidos discutem uma renda mínima de US$ 1 mil para cada cidadão.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já tinha manifestado opinião contrária à medida provisória de Jair Bolsonaro: "medida provisória capenga". O ex-ministro Ciro Gomes (PDT-CE) havia dito que iria ao STF contra a MP de Bolsonaro.