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terça-feira, 13 de outubro de 2020

Casos de reinfecção colocam imunidade contra a Covid-19 em dúvida

 


O caso de um homem que foi infectado com Covid-19 duas vezes nos Estados Unidos mostra que ainda há muito a se aprender sobre a imunização contra a doença e também provoca dúvidas sobre a vacinação

Reuters - O caso de um homem que foi infectado com Covid-19 duas vezes nos Estados Unidos mostra que ainda há muito a se aprender sobre as reações imunológicas, e também provoca dúvidas sobre a vacinação, disseram cientistas nesta terça-feira.

O homem de 25 anos de Reno, em Nevada, foi diagnosticado em abril depois de mostrar sintomas leves, e voltou a adoecer mais gravemente no final de maio, de acordo com um relatório de caso do periódico científico Lancet Infectious Diseases.

O relatório foi publicado poucas horas depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, que foi infectado com Covid-19 e hospitalizado no início deste mês, dizer que acreditar estar imunizado e que se sente “muito poderoso”.

Cientistas disseram que, embora as incidências de reinfecção pareçam raras --e o paciente de Nevada já está recuperado--, casos como o seu são preocupantes. Outros casos isolados de reinfecção foram relatados em todo o mundo, inclusive na Ásia e na Europa.

“Está se tornando cada vez mais claro que as reinfecções são possíveis, mas ainda não podemos saber o quão comum isto será”, disse Simon Clarke, especialistas em microbiologia da Universidade Reading do Reino Unido.

“Se as pessoas podem se reinfectar facilmente, isto também pode ter implicações para programas de vacinação, além do nosso entendimento de quando e como a pandemia terminará.”

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Imunidade à COVID-19 pode durar poucos meses, aponta estudo no Reino Unido



Nível de anticorpos de paciente de COVID-19 diminui drasticamente três meses após a infecção, aponta estudo que poderia "bater o último prego no caixão" do conceito de imunidade de rebanho.

Pacientes infectados com a COVID-19 podem perder sua imunidade após poucos meses, apontou estudo da King's College London.
Para os pesquisadores, existem evidências de que o novo coronavírus possa infectar pessoas anualmente, de maneira análoga aos resfriados, reportou o The Guardian. 
Cientistas analisaram a resposta imunológica de mais de 90 pacientes e agentes de saúde infectados pelo novo coronavírus, em primeiro estudo abrangente dessa natureza.
As descobertas apontam que o número de anticorpos em pacientes infectados atinge um pico cerca de três semanas após a infecção, mas declinam de maneira significativa posteriormente.

© AFP 2020 / CARL DE SOUZA
Paciente com COVID-19 é tratado no Hospital Oceânico, em Niterói, no Rio de Janeiro, 22 de junho de 2020
Amostras de sangue revelaram que, enquanto 60% dos pacientes produziram quantidades "potentes" de anticorpos durante o pico da doença, somente 17% deles mantiveram essa potência nos três meses seguintes.
Durante esse período, a quantidade de anticorpos declinou em até 23 vezes. Em alguns casos, tornou-se indetectável.
"As pessoas estão produzindo uma quantidade significativa de anticorpos, mas há uma queda após um curto período. O tamanho do pico [do paciente] é que vai determinar o período que os anticorpos vão permanecer no corpo", disse a coordenadora do estudo e pesquisadora da King's College London, Katie Doores.
As descobertas do estudo terão implicações para o desenvolvimento de vacinas e para as metas de "imunidade de rebanho" de comunidades.
O sistema imunológico combate o novo coronavírus de diversas formas, mas, caso os anticorpos sejam realmente a primeira linha de defesa, o estudo coloca em dúvida a eficácia de uma vacina e sugere a possibilidade de reincidência de infecção.

© REUTERS / TINGSHU WANG
Pessoas com máscaras protetoras em estação de metrô da capital chinesa, Pequim, 15 de junho de 2020
"A infecção produz o melhor cenário possível, em termos de produção de anticorpos. Logo, se a infecção produz uma resposta imunológica que vai durar de dois a três meses, a vacina provavelmente terá o mesmo efeito", disse Doores.
"As pessoas poderão precisar de reforços, e uma só dose [de vacina] pode não ser suficiente", apontou a pesquisadora.
Vacina desenvolvida na Universidade de Oxford foi capaz de gerar menos anticorpos em macacos do que o corpo humano é capaz de produzir durante uma infecção pelo novo coronavírus.
Ainda que a vacina tenha sido capaz de proteger os animais de um quadro grave, eles ficaram suscetíveis a infecções e capazes de propagar o vírus.
O pesquisador Robin Shattock, da Imperial College London, alertou que "não há certeza" de que uma vacina possa funcionar, uma vez que ainda não está claro qual o tipo de resposta imunológica necessária para prevenir o vírus, reportou a Sky News.

© SPUTNIK / ALEKSEI MAISHEV
Agente de saúde cuida de paciente na Unidade de Terapia Intensiva do hospital Filatov de Moscou, na Rússia, 21 de maio de 2020
O estudo publicado pela King's College, no entanto, é o primeiro a monitorar o nível de anticorpos em pacientes três meses após a cura. Os cientistas analisaram resultados de testes de 65 pacientes e seis agentes de saúde que testaram positivo para o novo coronavírus, além de 31 membros da instituição de ensino, que se voluntariaram para realizar testes regulares de anticorpos.
O estudo, que foi enviado para uma revista científica para publicação, mas ainda não foi revisado pela comunidade científica, revela que o pico de produção de anticorpos foi maior em pacientes que enfrentaram formas graves da doença. Esses pacientes também ficaram imunes ao novo coronavírus por mais tempo.
Existem quatro tipos de coronavírus em circulação, além do causador da COVID-19. "Uma coisa que sabemos sobre esses coronavírus é que uma pessoa pode ter reinfecção com uma frequência significativa", disse um coautor do estudo, Stuart Neil.
"Isso pode significar que a imunidade gerada pelas pessoas não é duradoura. Parece que o SARS-CoV-2, que causa a COVID-19, segue o mesmo padrão dos demais", disse Neil.
Para o virologista da Universidade de Cambridge Jonathan Heeney, o estudo confirma as evidências já disponíveis de que a imunidade contra o novo coronavírus não dura muito.

© FOLHAPRESS / AGIF
Letreiro indica restaurante aberto no centro de São Paulo, na segunda-feira (6). Bares, restaurantes e salões de belezas reabrem na cidade com horário de atendimento, lotação limitados e cumprindo regras sanitárias para conter o avanço da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus
"E o mais importante: isso martela o último prego no caixão do perigoso conceito de 'imunidade de rebanho'", sentenciou.
"Não tenho como frisar mais o quão importante é que o público compreenda que se infectar com o vírus não é uma coisa boa. Uma parte das pessoas, principalmente os mais jovens, estão começando a flertar com a ideia de se infectar, achando que isso seria uma contribuição à imunidade de rebanho."
Heeney alerta que, ao se infectarem, os jovens estão "não só colocando suas próprias vidas e as dos demais em risco", mas ainda arriscam ter "doenças pulmonares mais severas, caso venham a se infectar novamente" no futuro.
O novo coronavírus já infectou quase 13 milhões de pessoas e fez 569.666 vítimas fatais globalmente, de acordo com a Universidade Johns Hopkins (EUA). Os países com maior número de casos são EUA, Brasil, Índia e Rússia.

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sexta-feira, 15 de maio de 2020

Tem que parar: aonde estratégia de imunidade de grupo contra pandemia levou Suécia?



A abordagem do governo sueco no combate ao novo coronavírus dentro de seu país tem levantado muitas críticas dentro e fora da Suécia, com o país registrando uma elevada taxa de mortalidade.

Devido a sua forma aventureira de combater a COVID-19 sem quarentena, a Suécia tem sido vista como um teste do funcionamento da abordagem da chamada imunidade de grupo.
Bjorn Olsen, professor de doenças infecciosas da Universidade de Uppsala, Suécia, que tem criticado a estratégia sueca de não confinamento contra o coronavírus desde seu início, pediu mais uma vez às autoridades que repensem sua abordagem, com referência a um extenso estudo espanhol que é visto como um duro golpe à ideia de imunidade de grupo.

Conclusões do estudo

O extenso estudo refere que apenas 5% das mais de 60.000 pessoas testadas desenvolveram anticorpos para o novo coronavírus. Entre os profissionais de saúde a proporção é de cerca de 20 a 25%, apesar de a Espanha ter de longe a maior proporção de médicos e profissionais de saúde infectados do mundo.
Os dados estimularam os especialistas espanhóis a descartar completamente a ideia de imunidade de grupo.
"Temos que perceber que se uma frequência de infecção que parece ser de quase 5% da população tem causado tal estrago, uma frequência de 60% seria absolutamente catastrófica", afirma o médico Joan Ramón Villabí ao jornal espanhol El País.
Olsen chamou de confiável o estudo espanhol "incrivelmente abrangente" e estando em linha com o que foi visto anteriormente em Wuhan, na China.
"Devemos mudar nossa estratégia, testar mais pessoas e colocar em quarentena os infectados. Caso contrário, isto continuará e mais pessoas morrerão desnecessariamente", disse Olsen ao jornal Expressen.

© REUTERS / AGÊNCIA DE NOTÍCIAS TT / PONTUS LUNDAHL
Ministros suecos participam de uma coletiva de imprensa sobre a situação do coronavírus no país
Tove Fall, epidemiologista da Universidade de Uppsala, alertou que o estudo não augurava nada de bom para a Suécia.
"A Espanha é um dos países mais duramente atingidos do mundo. O fato de eles terem tão baixas proporções não é uma boa notícia para nós", avisou Tove Fall em declarações à emissora nacional SVT.

Mais críticas

A estratégia sueca tem sido amplamente criticada entre jornalistas e formadores de opinião, com Ivar Arpi do Svenska Dagbladet, um dos maiores diários do país, perguntando: "Quantos devem morrer em prol da imunidade de grupo?"
A própria Organização Mundial da Saúde enfatizou que relativamente poucas pessoas têm ou desenvolveram anticorpos, alertando para uma longa batalha pela frente e advertindo contra a aposta na imunidade de grupo.
O modelo sueco de lidar com a epidemia do coronavírus sem confinamentos e em um modo de vida normal, também tem sido admoestado no exterior. Entre outros, o primeiro-ministro polonês Mateusz Morawiecki chamou o modelo sueco de "darwinista" e enfatizou que a Polônia ainda nem pensou em introduzi-lo.
Na mídia polonesa, a Suécia é usada como um exemplo assustador, com um alto número de mortes evitáveis e triagem para classificar os pacientes com melhores chances de sobrevivência.

© AP PHOTO / KIRSTY WIGGLESWORTH
Funcionários realizam limpeza de praça no Reino Unido para deter a propagação do coronavírus
O Reino Unido também pensou inicialmente seguir o modelo de não-intervenção direta da Suécia, mas o elevado número de mortes e os argumentos dos cientistas levaram o premiê Boris Johnson a abandonar a experiência. O presidente norte-americano Donald Trump considerou os suecos disciplinados em comparação com os EUA, mas diz que estão pagando um preço elevado pelo caminho que escolheram.

Resultados da abordagem

As autoridades suecas têm repetidamente saudado a "imunidade de rebanho" como o meio decisivo para deter a propagação do novo coronavírus. Embora o pré-requisito para que a imunidade de grupo funcione seja entre 40 e 60%, um novo estudo da Autoridade Nacional da Saúde Pública da Suécia indicou que menos de 1% da população tinha uma infecção ativa no final de abril.
O número correspondente em Estocolmo, a cidade mais afetada do país, era de 2,3%. Entretanto, as autoridades suecas mudaram seu prognóstico inicial de atingir a imunidade de maio para meados de junho.
Confiando principalmente nas restrições voluntárias, a Suécia tem visto até agora quase 30.000 casos confirmados e mais de 3.600 mortes, de acordo com a Universidade Johns Hopkings, EUA.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Cientista russo avisa quando poderá ocorrer 2ª onda do coronavírus e quanto duraria imunidade



Enquanto no mundo são anunciadas medidas de flexibilização da quarentena, cientista russo respondeu a perguntas sobre o possível retorno da pandemia e questões relacionadas ao vírus.

Para o diretor do Centro de Imunologia e Biomedicina Molecular da Universidade Estatal de Moscou, Mikhail Paltsev, o coronavírus deverá voltar durante o outono no Hemisfério Norte neste ano.
Perguntado se quem já teve a COVID-19 corre risco de nova infecção, Paltsev disse em entrevista ao jornal Parlamentskaya Gazeta:
"Durante quanto tempo atua a imunidade? Talvez por um ano, levando em consideração que este é um vírus que causa doenças respiratórias, por analogia com os vírus da gripe [...] Mas, para se ter certeza, serão necessários pelo menos três anos de pesquisas. Aparentemente, com o tempo, a infecção por coronavírus, assim como a gripe, terá diferentes formas. Em alguém vai ser só um resfriado leve, em outro uma bronquite, e em outro danos nos pulmões."

'Segunda onda será menos intensa'

Sobre a hipótese de retorno do coronavírus, Paltsev apontou como exemplo a Rússia, onde a segunda onda poderia se dar entre o outono e o inverno, assim como na primavera.
Contudo, para o especialista, um novo surto não seria tão intenso como o cenário atual.
Como método preventivo, o especialista aconselha vitaminas B, C e D.
Embora o bom nível de vitaminas no organismo não garanta defesa em 100%, elas aumentam a capacidade do corpo de resistir aos vírus.