Total de visualizações de página

Mostrando postagens com marcador taxa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador taxa. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Encontrada razão para elevada taxa de mortalidade na Itália devido ao coronavírus



Itália representa um enigma na pandemia do coronavírus: como pode um país com apenas 60 milhões de habitantes ter mais mortes do que qualquer outra nação do mundo?

Médicos italianos explicaram a alta taxa de mortalidade em seu país durante a pandemia por um inverno ameno, que tornou a gripe sazonal menos virulenta, de acordo com um relatório do Ministério da Saúde italiano.
O fato de a estação da gripe ter sido menos intensa, provocando uma menor mortalidade na Itália que o habitual em novembro-janeiro, levou a que as pessoas com doenças crônicas e que foram poupadas pela gripe tenham ficado em maior risco quando o novo vírus começou a se espalhar em fevereiro e março, refere o relatório.
As mortes neste grupo contribuíram significativamente para as estatísticas globais de mortalidade, observa a agência de notícias Bloomberg, em uma análise efetuada ao relatório.

Menos gripe, mais COVID-19

Segundo a Bloomberg, o relatório analisou dados de 19 cidades italianas até 21 de março. De acordo com este documento, que apresenta dados atualizados em 17 de março para a maioria das cidades, e em 21 de março para outras, a mortalidade devido à gripe de novembro a janeiro ficou 6% abaixo da média no norte do país, e 3% nas regiões centro e sul.
É possível que a menor mortalidade no início do inverno "tenha levado a um aumento no grupo dos mais vulneráveis" que foram expostos à COVID-19, segundo o relatório italiano.
No norte da Itália, onde ocorreu a maioria das mais de 12 mil mortes, a letalidade geral em novembro-janeiro entre pessoas com 65 anos de idade ou superior foi 6% abaixo da média dos anos anteriores. Nas cidades do centro e do sul da Itália, as mortes ficaram neste período 3% abaixo do previsto.
O estudo não especificou quantos menos casos letais concretamente ocorreram, ou qual o aumento de pessoas vulneráveis durante esse período. Mas o número total de italianos idosos poupados pela gripe sazonal pode ter sido de centenas, com base em uma média anual de 8.000 mortes por gripe em todo o país, refere a Bloomberg.

COVID-19 na Itália

A taxa de mortalidade do coronavírus nos grupos etários acima dos 60 anos é de 5% a 25% e aumenta com a idade, sendo mais baixa nos outros grupos, de acordo com o relatório analisado.
O número total de idosos que faleceram na Itália durante a pandemia já ultrapassou a taxa de mortalidade por gripe registrada nos últimos dois anos, mas este número ainda não atinge a taxa de mortalidade de três anos atrás.
De acordo com dados atualizados em 2 de abril pela Universidade Johns Hopkins, 13.155 pessoas faleceram vítimas do coronavírus SARS-CoV-2 na Itália, 7.000 das quais na Lombardia, 110.574 foram infectadas e 16.847 recuperaram.

Posição da OMS

"Esta não é apenas uma má temporada de gripe", afirmou Mike Ryan, chefe do serviço de emergências médicas da Organização Mundial da Saúde (OMS), citado pela agência Bloomberg. Trata-se de "sistemas de saúde que estão em colapso sob a pressão de demasiados casos".
A última estação da gripe começou mais cedo na Europa do que nos anos anteriores, atingindo o pico na semana que terminou no dia 2 de fevereiro, de acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), que acrescenta que a Itália, França, Alemanha e Espanha reportaram apenas surtos de gripe e doenças respiratórias de média intensidade.
Um gráfico incluído no relatório italiano e analisado pela Bloomberg mostrou que as mortes entre as pessoas com 65 anos ou mais durante o surto de coronavírus até 17 de março já haviam ultrapassado os níveis das duas temporadas anteriores de gripe e aproximavam-se do total geral de mortes de 2016-2017.
A estação da gripe foi menos mortal neste inverno devido às temperaturas amenas, concluiu o relatório do Ministério da Saúde italiano.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Por que a taxa de mortalidade da COVID-19 é mais baixa na Alemanha?



Especialistas explicam por que a taxa de mortalidade em decorrência do coronavírus na Alemanha é inferior à de outros países europeus.

Nas últimas semanas, o número de casos do novo coronavírus na Alemanha cresceu rapidamente, atingindo 34.009 casos, tornando-se o 5º país mais afetado do mundo, atrás somente de China, Itália, EUA e Espanha.
Mas a taxa de mortalidade desses países varia de maneira significativa. De acordo com dados compilados pela Universidade John Hopkins (EUA), a taxa de mortalidade na Itália é de 9,5%, e na França é de 4,3%, enquanto na Alemanha é de somente 0,4%.
O principal motivo para a baixa mortalidade foi, de acordo com especialistas, a resposta das autoridades alemãs no início da propagação do vírus no país. Neste primeiro estágio, a Alemanha focou em identificar, testar e conter epicentros de propagação.
Uma vez que o país optou por testar não só os casos mais óbvios de COVID-19, como aqueles com sintomas graves ou pacientes de alto risco, a Alemanha tem dados mais precisos sobre a real situação epidemiológica do paísreportou o The Washington Post.
"No início tínhamos relativamente poucos casos. No tocante à identificação e ao isolamento, fizemos um bom trabalho na Alemanha", declarou Reinhard Busse, diretor do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Tecnologia de Berlim.
Nesta primeira fase, o país identificou epicentros de propagação do vírus de maneira meticulosa. Quando um caso era confirmado, a Alemanha aplicava métodos de rastreamento de contatos para identificar pessoas que entraram em contato com os pacientes e impôs quarentena a todas elas. Essa medida permitiu a quebra de cadeias de transmissão do vírus.

© REUTERS / THILO SCHMUELGEN
Shopping vazio na cidade alemã de Leverkusen, 20 de março de 2020
Além disso, o epidemiologista e parlamentar alemão Karl Lauterbach notou que muitos casos na Alemanha foram identificados em pacientes relativamente jovens, "pessoas que voltavam das férias".
Os mais jovens reagem melhor à COVID-19 e têm maiores chances de superá-la. Na Itália, em contrapartida, a propagação afetou em grande parte a população idosa, mais vulnerável ao novo coronavírus.
Para Lauterbach, a taxa de mortalidade alemã deve aumentar, conforme o coronavírus se propaga para outros segmentos sociais.
O virologista do hospital Charité de Berlim está "absolutamente convencido" de que a alta capacidade de diagnóstico da Alemanha "nos deu uma enorme vantagem [...] no diagnóstico da epidemia".
Mas ele sugere cautela, uma vez que a taxa de mortalidade provavelmente irá aumentar: "Não somos nenhuma exceção."