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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Gigante energética britânica inaugura 1º terminal privado de gás natural liquefeito do Brasil



A gigante de energia do Reino Unido, Centrica, fretou este mês um navio para fornecer gás natural liquefeito (GNL) para a empresa Centrais Elétricas de Sergipe S.A. (CELSE).

Com essa medida, a empresa energética lançou o primeiro terminal privado de GNL do Brasil, que foi desenvolvido antes das reformas, que visam acabar com o monopólio da Petrobras no fornecimento de gás natural para o mercado doméstico.
Uma carga de 95 mil metros cúbicos foi entregue ao terminal no dia 4 de fevereiro pelo navio-tanque Singapore Energy.
Segundo a Centrica, a transferência foi feita para a Unidade de Armazenamento e Regaseificação Flutuante (FSRU) da Golar Nanook, que está conectada por gasoduto à Usina Termoelétrica (UTE) Porto de Sergipe I (a maior da América Latina) da CELSE.

Marco de GNL no Brasil

"Esta carga representa outro marco para o mercado brasileiro de GNL e demonstra a crescente capacidade global de comercialização, otimização e operação de GNL da Centrica", declarou Jonathan Westby, diretor-geral de GNL da Centrica, citado no site da empresa energética.
Devido à menor demanda interna, ao aumento da produção interna e à necessidade de refrear os gastos com divisas, os terminais brasileiros têm operado abaixo da capacidade.
O país, que depende da produção nacional para a maior parte de seu abastecimento de gás, também importa gás da Bolívia por gasoduto.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Nova jazida de gás natural poderia mudar equilíbrio econômico do golfo Pérsico



Descobrimento de enorme jazida de gás entre Dubai e Abu Dhabi poderia mudar as regras do jogo no mercado internacional de hidrocarbonetos, uma vez que as relações entre Qatar e Emirados Árabes Unidos esfriaram ultimamente.

Os EAU são um dos maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo. Em 2019 foram extraídos aproximadamente 2,9 milhões de barris por dia, o que representa em torno de um terço do PIB do país árabe, comenta Vanand Meliksetian em seu artigo para a publicação Oilprice.
Apesar de sua impressionante capacidade de produção, o país segue dependente em grande medida do gás natural importado para satisfazer a demanda interna. Um terço do gás do país é fornecido pelo vizinho Qatar. As tensas relações políticas entre os dois países, devido ao apoio dos EAU ao bloqueio dirigido pela Arábia Saudita, criam uma relação comercial incômoda.

© SPUTNIK / ABDULKADER KHADJ
Doha, capital do Qatar
No começo deste mês, os Emirados Árabes anunciaram a descoberta da maior jazida de gás desde 2005. O campo de Jebel Ali contém 80 bilhões de pés cúbicos de referência padrão de gás. Tem o potencial de tornar o país autossuficiente.
"A descoberta de um enorme campo de gás nos EAU melhora a segurança energética do país e pode transformar o entorno geopolítico regional", analisa Meliksetian.
Contudo, segundo Samer Mosis, analista da S&P Global Platts Analytics, "ainda que o descobrimento tenha o potencial de deixar os Emirados Árabes Unidos um passo mais próximos da autossuficiência de gás, restam importantes incógnitas em torno dos custos e volume de desenvolvimento". Isso poderia significar que a autossuficiência é mais difícil e custosa de alcançar do que se prevê atualmente.
O desenvolvimento do campo de gás levará anos, durante os quais os EAU dependerão do gás natural importado. O país está obrigado por contrato a seguir importando o produto do vizinho Qatar.
Ainda que o Qatar continue a ser um exportador confiável apesar do bloqueio, a dependência energética não é uma posição de equilíbrio para Abu Dhabi.
O gás natural poderia se converter em um importante pilar de crescimento a curto e médio prazo. Embora se preveja que o consumo de petróleo alcance seu ponto máximo em torno de 2030, a quota de gás natural seguirá crescendo. Desta forma, uma indústria nacional de GNL poderia se converter em uma parte importante da carteira energética dos Emirados Árabes Unidos, conclui Meliksetian.