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quinta-feira, 7 de maio de 2020

Ministros do STF estão indignados com reunião-circo de Bolsonaro


Dias Toffoli reclamou em tom duro com Bolsonaro ao fim da reunião armada de surpresa pelo governo para pressionar o STF pelo fim da política de isolamento social de Estados e Municípios. Reunião foi transmitida ao vivo pelas redes de Bolsonaro sem prévio aviso. Clima é de profunda irritação e indignação na Corte


O clima no STF é de irritação e até indignação com a verdadeira “reunião-circo” que o Palácio do Planalto armou na manhã desta quinta-feira (7) na sede do Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro tornou tudo numa verdadeira pantomima, atravessando a Praça dos Três Poderes com um grupo de 15 empresários e ministros liderados por Paulo Guedes para pressionar o STF pelo fim do isolamento social, exigindo que a Corte retire poder dos Estados e Municípios para as medidas de combate à pandemia do coronavírus.
Os ministros do STF foram surpreendidos com a transmissão ao vivo da reunião pelas redes sociais de Jair Bolsonaro, que não foi combinada, segundo o jornalista Valdo Cruz, da GoboNews. A reunião aconteceu num clima de pressão sobre o Supremo. No entanto, Toffoli rejeitou a pressão e disse que o governo federal precisa dialogar com governadores e prefeitos e que deve coordenar as ações com eles.
Bolsonaro evitou olhar para para Toffoli enquanto o presidente do STF falava, na reunião, o que causou irritação ainda maior na Corte. Ao fim da reunião, Toffoli disse a Bolsonaro, segundo Cruz, que estava insatisfeito com a pressão que foi armada de surpresa contra ele e ao STF.

STF pode enquadrar Bolsonaro em crime de desobediência se ele não entregar vídeo de reunião


Caso o prazo de 72 horas, estipulado por Celso de Mello, para que seja entregue à Justiça a gravação não seja cumprido, ministros do STF interpretam que Bolsonaro poderia ser enquadrado em crime de desobediência


Ministros do STF avaliam que Jair Bolsonaro cometeria crime caso o governo não entregue, dentro do prazo de 72 horas estipulado por Celso de Mello, cópia da gravação da reunião ministerial ocorrida no dia 22 de abril, em que Bolsonaro teria ameaçado o ex-ministro Sérgio Moro de demissão caso não permitisse interferências na Polícia Federal (PF). Informações de Andréia Sadi, do G1.
Bolsonaro poderia ser enquadrado, por exemplo, em crime de desobediência, de acordo com ministros do STF ouvidos por Sadi.
Nesta quarta-feira (6), a Advocacia Geral da União (AGU) pediu a Celso de Mello que reconsidere a ordem de entrega da gravação.

Empresários não gostaram de ida surpresa ao STF com Bolsonaro

Jair Bolsonaro em reunião com empresários (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Integrantes do grupo Coalizão Indústria não se sentiram à vontade com a reunião que não estava prevista. Alguns consideraram uma armadilha o ato de Jair Bolsonaro para pressionar o Supremo Tribunal Federal


Alguns empresários que participaram nesta quinta-feira (7) de reunião com Jair Bolsonaro e com o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, não gostaram de terem sido pegos de surpresa, de acordo com Guilherme Amado, da Época.
Os empresários da Coalizão Indústria, liderada por Marco Pollo, do AçoBrasil, estavam com Bolsonaro em uma reunião quando um assessor da presidência telefonou ao STF e Toffoli concordou em recebê-los.
Bolsonaro então anunciou, de surpresa, a ida ao Supremo. Os empresários não ficaram à vontade com a situação.