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quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Extrema Direita: Entreguismo de Bolsonaro a Trump custa caro ao Brasil

 


Publicado originalmente pelo Vermelho:

As atitudes do governo do presidente Jair Bolsonaro de prolongar a isenção do etanol importado dos Estados Unidos, no momento em que o setor sofre com a queda do consumo, e de apoiar o candidato norte-americano para presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), rompendo uma tradição histórica da instituição desde a sua criação há 61 anos, têm o claro objetivo de tentar ajudar a reeleição de Donald Trump. O entreguismo bolsonarista já havia se manifestado explicitamente na facilitação da venda da Embraer, que não se concretizou pela desistência da Boeing.

São ações que se coadunam com a política externa que rompeu com a inserção soberana do Brasil no cenário mundial, que diversificava os parceiros comerciais na busca de ganhos na feroz disputa entre os blocos geopolíticos, demonstrações enfáticas de subserviência à Casa Branca. O troco veio a galope; o governo estadunidense acaba de anunciar a taxação do alumínio, prejudicando a siderurgia brasileira. A gravidade dessa medida pode ser calculada pelo saldo do comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos.

De acordo com a Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil) – entidade que representa cerca de cinco mil multinacionais brasileiras e norte-americanas –, até o mês de setembro o país registra em 2020 o pior resultado dos últimos 11 anos. O valor das trocas comerciais foi de US$ 33,4 bilhões, uma redução de 25,1% em relação ao mesmo período de 2019. É um golpe duro no comércio bilateral entre os dois países, segundo Abrão Neto, vice-presidente executivo da Amcham Brasil. A taxa de queda foi quatro vezes maior do que a redução das exportações totais do Brasil para o mundo.

São fatos que chamam a atenção também pela situação da economia mundial, cujo enfrentamento deveria ser tratado como prioridade absoluta no Brasil. O Fundo Monetário Internacional (FMI) indica que, após a recuperação prevista para 2021, o crescimento mundial deverá desacelerar gradualmente até o patamar aproximado de 3,5% no médio prazo. Segundo a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, isso constituirá um grave retrocesso na melhoria dos padrões médios de vida em todos os grupos de países. Mas é certo os pobres pagarão um preço mais elevado.

Um país como o Brasil precisa analisar com muito apuro essa tendência. Nos países de economias pobres, essa lógica é mais bruta. Ocorre que, pelo projeto neoliberal – que no governo Bolsonaro tem feição ultraliberal e radicalmente neocolonial –, a regra das relações econômicas é muito unilateral: os recursos fluem quase que em regime de mão única dos países periféricos para os centrais. E a riqueza global é concentrada nas mãos de poucos.

O próprio FMI constata que o prejuízo não será igual para todos. Até fim de 2021, a perda de produto em relação ao projetado antes da pandemia para as economias em desenvolvimento, excluindo a China, será de 8,1%, muito maior que a perda esperada de 4,7% nas economias avançadas. O Brasil ainda tem o agravante da fuga de capitais, que segundo o Institute of International Finance (IIF) – que reúne 450 bancos e fundos de investimento em 70 países – terá um saldo negativo entre aplicações e retiradas de não residentes no país de US$ 24 bilhões (R$ 134 bilhões) neste ano.

Além de desigual regionalmente, o efeito também não é sentido igualmente pelas diferentes classes sociais. Os bilionários aumentaram suas fortunas para um recorde de US$ 10,2 trilhões, superando o pico anterior, de US$ 8,9 trilhões, alcançado no final de 2017. Um relatório do banco suíço UBS revela que a riqueza dos bilionários aumentou 27,5% no auge da crise de abril a julho, turbinada pela alta dos mercados de ações. Esses dados, para um país castigado por uma grave crise econômica e sanitária, e com a soberania aviltada pela subserviência aos Estados Unidos, mostram o tamanho do problema causado pelo presidente Bolsonaro.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Comércio entre Brasil e EUA chega ao menor nível em 11 anos

 


Segundo dados divulgados nesta quarta-feira (14) pelo Monitor do Comércio Brasil - EUA da Amcham Brasil, a balança comercial entre os países registrou queda de 25% em relação a 2019.

A publicação verificou que as importações brasileiras vindas dos EUA também caíram no terceiro trimestre, e apresentaram uma redução de 41,6% em relação ao mesmo período no ano passado. Entre janeiro e setembro de 2020, a queda foi de 18,8%.

Os dados sobre exportações também ficaram abaixo da média. No acumulado do ano, as exportações brasileiras para os EUA caíram 31,5%, registrando o total de US$ 15,2 bilhões. Este é o menor valor para o indicador desde 2010.

​A contração nas exportações, segundo a Amcham Brasil, resultou também na menor corrente bilateral entre Brasil e EUA nos últimos 11 anos. O valor da balança entre os países, até setembro de 2020, foi de US$ 33,4 bilhões. Em relação a 2019, isso representa uma contração de 25,1%.

A consultoria avalia que o resultado pode ser explicado por uma combinação de fatores. A saber, a crise econômica causada pela pandemia de COVID-19, a queda do preço internacional do petróleo, e restrições ao comércio bilateral em alguns setores, como o siderúrgico.

Neste sentido, vale lembrar que, no início de outubro, o presidente Donald Trump anunciou novas tarifas sobre o alumínio do Brasil e de outros 17 países. Na época, ele acusou o governo brasileiro de prática de dumping.

Por fim, a análise da consultoria destaca que o saldo negativo na balança comercial entre Brasil e EUA ficou em US$ 3,1 bilhões desfavorável ao governo brasileiro. A tendência é que o país sulamericano registre o maior déficit no comércio com os EUA nos últimos cinco anos ou seis anos.

Brasil, EUA e China

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial brasileiro, com fatia de 9,7% das exportações e 12,3% da corrente de comércio brasileiras. Em primeiro lugar está a China, que detém 34,1% das exportações e 28,8% da corrente de comércio.

A China tem sido a principal fonte de contribuição para o superávit da balança comercial do Brasil, com importações de US$ 4,5 bilhões em julho e de US$ 21,9 bilhões no acumulado do ano até julho de 2020, segundo o Boletim de Comércio Exterior (Icomex) do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

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PF encontra dinheiro 'sujo de fezes' entre as nádegas de vice-líder de Bolsonaro, diz revista

 


Durante uma operação de busca e apreensão na manhã desta quarta-feira (14) na casa do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), vice-líder do governo de Jair Bolsonaro no Senado, a Polícia Federal encontrou cédulas de dinheiro escondidas entre as nádegas do político.

Segundo uma reportagem publicada pela revista Crusoé, com base em um depoimento de uma fonte com acesso ao caso, o instante da apreensão foi registrado em imagens pelos policiais e que algumas notas estavam sujas de fezes.

No total, os policiais encontraram R$ 30 mil reais na casa de Rodrigues, em Boa Vista. Parte desse valor estava escondida na cueca do senador. Foi nessa hora que os agentes perceberam que havia mais notas entre as nádegas do vice-líder do governo Bolsonaro no Senado.

O senador foi alvo da operação Desvid-19 que apura suspeitas de sobrepreço e superfaturamento na execução de emendas parlamentares destinadas ao combate à pandemia em Roraima. Os desvios totalizariam cerca de R$ 20 milhões.

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a ação policial do inquérito que corre sob sigilo. A Controladoria-Geral da União participou também da apuração.

Ao todo foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Boa Vista, capital de Roraima.

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