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segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Matéria não é só espaço: pela 1ª vez cientistas criam cristais do tempo

 


O conceito de cristais cujos padrões se repetem não só no espaço, mas também no tempo, era inédito até 2012. Sua aplicação também pode permitir a produção de relógios mais precisos.

Cientistas da Espanha e da Alemanha inventaram uma maneira de criar cristais do tempo, segundo um comunicado da Universidade de Granada, na Espanha, que trabalhou em conjunto com a Universidade de Tubinga, na Alemanha.

A característica deste novo estado de matéria é que, ao contrário dos outros tipos de cristais, seus padrões se repetem não só no espaço, mas também no tempo.

Certas transições de fase dinâmicas que aparecem nas raras flutuações de muitos sistemas físicos quebram espontaneamente a simetria de tradução do tempo, o que pode ser útil para criar cristais do tempo, explicam os pesquisadores.

De acordo com a equipe, que utilizou o supercomputador Proteu da universidade espanhola, um dos mais poderosos do país, estas transições de fase dinâmica aparecem no espaço de trajetórias, quando um sistema físico é condicionado para realizar uma flutuação rara (ou improvável) de certos observáveis, como o fluxo de partículas.

Os pesquisadores utilizaram ferramentas de análise espectral e demonstraram inequivocamente a relação entre estes e os cristais do tempo: estes raros eventos podem se tornar típicos por uma transformação da dinâmica microscópica das partículas, o que permitiria que o comportamento do cristal de tempo fosse explorado de forma prática.

"Isto é especialmente relevante em campos como a metrologia, para o projeto de relógios mais precisos, ou na computação quântica, onde os cristais do tempo podem ser usados para simular estados fundamentais ou para projetar computadores quânticos mais robustos contra a decoerência [perda da coerência ou ordenamento de ângulos de fase entre componentes de um sistema numa sobreposição quântica], com as possibilidades tecnológicas que isto implica".

"Estes resultados são importantes porque, em um nível fundamental, abrem um caminho inexplorado para compreender melhor o tempo e suas simetrias, ao mesmo tempo que nos ensinam novas maneiras de criar cristais do tempo em um nível prático", apontaram os pesquisadores.

A existência dos cristais do tempo, antes considerada muito improvável, e foi sugerida pela primeira vez em 2012 por um professor no Instituto de Tecnologia de Massachussets, nos EUA, e prêmio Nobel da Física, Frank Wilczek.

'Não existe prorrogação', afirma Paulo Guedes sobre auxílio emergencial

 


O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou descartou a possibilidade de uma nova prorrogação do auxílio emergencial. Segundo ele, o benefício deverá ser extinto no final do ano, com o recuo dos casos de covid-19.  “Os fatos são que a doença cedeu bastante e a economia voltou com muita força. Do ponto de vista do governo, não existe prorrogação de auxílio emergencial”, afirmou disse em evento virtual organizado pela Empiricus. 

 


O ministro ainda garantiu que vai atuar com “evidências empíricas” e que há muita pressão política pela prorrogação do auxílio emergencial. “Estamos preparados para reagir, mas não adianta criar fatos que não existem. Se tiver segunda onda [da pandemia], já sabemos como reagir, o que funcionou e o que não funcionou, sabemos o nome dos beneficiários que realmente precisam”, completou. O pagamento do auxílio no valor de R$ 600 foi iniciado em março e assim permaneceu até setembro. Uma nova prorrogação até dezembro reduziu o valor a R$ 300. 

Guedes admitiu, mais cedo, que está havendo repique de contágio do novo coronavírus, mas negou que já haja uma segunda onda da pandemia no Brasil. Segundo ele, se houver uma segunda onda no Brasil, o governo agirá com a mesma "determinação", mas é preciso ter "base empírica". 

“Parece que está havendo repiques. São ciclos, vamos observar. Fato é que a doença cedeu substancialmente. As pessoas saíram mais, se descuidaram um pouco. Mas tem características sazonais da doença, estamos entrando no verão, vamos observar um pouco. Nós que não somos especialistas”. 

sábado, 21 de novembro de 2020

Colocar nova frota dos EUA no Indo-Pacífico 'seria como agarrar China pela garganta', opina analista

 



A criação de uma nova frota da Marinha dos EUA no Indo-Pacífico poderia representar uma ameaça aos crescentes interesses da China na região porque cobriria as principais rotas comerciais, segundo analista.

Na terça-feira (17) Kenneth Braithwaite, o secretário da Marinha dos EUA, sugeriu que o serviço deveria criar uma nova frota no limite entre os oceanos Índico e Pacífico.

"Queremos criar uma nova frota numerada. E nós queremos colocar essa frota numerada na encruzilhada entre os oceanos Índico e Pacífico", disse.

Suas declarações surgem um dia antes da realização da segunda fase de um exercício naval no mar Arábico, integrado pelos EUA, Índia, Austrália e Japão, que é visto como parte de uma iniciativa regional para conter a crescente assertividade da China no Indo-Pacífico.

oceano Índico é um elo crítico nas rotas comerciais globais, sendo que 80% do comércio marítimo passa por esta via.

Segundo uma análise conduzida pelo Instituto de Estudos Chineses Mercator, 80% das importações de petróleo de Pequim passam pelo estreito de Malaca, o ponto mais movimentado do oceano Índico. 

Uma nova frota dos EUA focada no oceano Índico poderia ser um problema para as ambições da China na região, disse analista militar Song Zhongping.

"China depende muito mais do oceano Índico do que do Pacífico Ocidental", explicou. "Colocar uma frota da Marinha dos EUA seria como agarrar a China pela garganta, isso prejudicaria os interesses de desenvolvimento da China em termos de cadeias de abastecimento de energia e de investimentos em projetos da Iniciativa do Cinturão e Rota [também conhecido como Um Cinturão, Uma Rota]", comentou.

Timothy Heath, analista sênior de pesquisa em defesa internacional do centro norte-americano de análise estratégica RAND, avançou que os EUA poderiam facilmente criar uma nova frota, mas poderia ser um desafio construí-la.



© FLICKR.COM / NAVAL SURFACE WARRIORS
O helicóptero estadunidense MH-60R Seahawk está decolando do navio USS Fort Worth (LCS 3) no mar do Sul da China

"Ao longo do tempo a frota naval dos EUA diminuiu consideravelmente e já enfrenta desafios no cumprimento das obrigações dos comandos existentes. Muito provavelmente o novo comando operaria com um número reduzido de navios, pelo menos no início", afirmou.

Charlie Lyons Jones, pesquisador do programa de defesa e estratégia do Instituto de Política Estratégica da Austrália, disse que a decisão de criar uma nova frota seria bem recebida por aliados dos EUA, que podem estar dispostos a abrigar uma instalação americana adicional, escreve South China Morning Post.

"Mas existem preocupações legítimas que a criação de uma Primeira Frota baseada no oceano Índico tenha sido um pouco desordenada e feita sem muitas consultas com os aliados", explicou.

No fim de outubro, Kenneth Braithwaite afirmou que a China representa uma ameaça maior do que muitos norte-americanos imaginam.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik