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quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

'Desmonte orquestrado': cientista critica corte de quase 70% em pesquisa científica

 


O presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Ildeu de Castro Moreira, diz, em entrevista à Sputnik Brasil, que o novo valor da cota de benefícios fiscais destinado à pesquisa científica é "absolutamente insuficiente" para as demandas usuais do CNPq.

Em meio à maior crise sanitária mundial em um século, o governo federal cortou quase 70% da cota de benefícios fiscais para importação de equipamentos e insumos destinados à pesquisa científica em 2021.

Segundo um levantamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o montante total caiu de US$ 300 milhões (R$ 1,6 bilhão, em valores corrigidos pela inflação) em 2020 para apenas US$ 93,29 milhões (R$ 505 milhões) - uma queda de 68,9%, mais precisamente.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro Moreira, critica o que chamou de "redução absolutamente drástica" e afirma que o novo valor é "absolutamente insuficiente" para as demandas usuais do CNPq com importação de equipamentos e insumos para laboratórios.

"Já estamos recebendo muitas notícias ruins sobre a ciência no Brasil. E essa foi uma adicional que ameaça muito a ciência brasileira, inclusive, no enfrentamento das questões da COVID-19. Essa redução é absolutamente drástica", diz Moreira, que também é professor do Instituto de Física da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

A medida impacta duramente, por exemplo, a atuação do Instituto Butantan e da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que estão empenhados na produção de novas vacinas contra a COVID-19. Os produtos comprados nesta cota, de outros países diretamente para pesquisa científica, são livres de impostos de importação.

Duas leis de 1990 garantem o benefício fiscal, mas a definição sobre o valor é feita todo ano e fica a critério do Ministério da Economia, atualmente comandado por Paulo Guedes.



© FOLHAPRESS / PEDRO LADEIRA
Ministro da Economia, Paulo Guedes, durante cerimônia em Brasília.

De acordo com o presidente da SBPC, o CNPq precisaria de pelo menos US$ 110 milhões (R$ 595,5 milhões) só para investir no combate à pandemia de COVID-19.

"O impacto é muito ruim, porque estas instituições estão muito envolvidas com a pesquisa sobre as novas vacinas que estão sendo utilizadas, sendo que há ainda 20 novos imunizantes sendo discutidos também em várias instituições", lamenta.

Obstáculos com a pandemia como a ponta do iceberg

Moreira ressalta que o impacto negativo ocorrerá não apenas para as pequisas relacionadas com a pandemia, mas também para o estudo de outras doenças que afetam o Brasil. Segundo o cientista, o país é dependente da compra de equipamentos e insumos para produção e experimentos.

"Como o pesquisador vai pagar imposto de importação? Como as instituições vão pagar imposto para equipamentos e insumos que são decisivos para o uso público? Então, essa redução drástica na cota de importação, de certa maneira, parece fazer parte desse desmonte orquestrado, pois só podemos interpretar assim", critica.


© REUTERS / AMANDA PEROBELLI
Funcionários do Butantan trabalham no combate à COVID-19, em 12 de janeiro de 2021

Para o presidente da SBPC, os problemas sanitários enfrentados pelo país com a pandemia são apenas a ponta do iceberg. Segundo Moreira, desde 2015, há uma contínua redução de recursos destinados a áreas como ciência, tecnologia e inovação.

O CNPq mostra, em seu levantamento, que o novo valor da cota de benefícios fiscais para pesquisa científica é o menor da década. Em 2010, o montante era de US$ 600 milhões (R$ 3,25 bilhões). Em 2014, subiu para US$ 700 milhões (R$ 3,79 bilhões). E em 2017, o valor já caiu para US$ 300 milhões (R$ 1,62 bilhão), mesmo patamar de 2020.

"Os recursos programados para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações no ano que vem é de menos de um terço do que tínhamos há dez anos. É uma redução extremamente significativa, que afetou muito os projetos de pesquisa e em laboratórios no país inteiro em todas as áreas, em particular na Saúde", ressalta.

'Terraplanismo econômico'

Moreira diz que a preocupação dos pesquisadores e de todos os profissionais da área é de "resistir ao desmonte" e tentar "retomar o dinamismo", tanto para preservar a saúde dos brasileiros, como para recuperar a economia. Porém, no cenário atual, o presidente da SBPC ainda mantém uma visão pessimista com o futuro da ciência no país.

"O presidente da República fez vetos ao chamado Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico [FNDCT]. Nós conseguimos aprovar no Congresso Nacional um projeto de lei importante para liberar os recursos desse fundo, mas foram vetados por orientação do Ministério da Economia, onde predomina um terraplanismo econômico, que está levando a ciência brasileira a uma situação trágica", afirma.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik


terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Funkeira! Tati Zaqui exibe novo biquíni e seguidor brinca: 'Assim a gente morre'

 


Tati Zaqui resolveu animar o feriado de São Paulo nesta segunda-feira (25) com uma foto em que aparece de biquíni e, claro, mostra toda a sua boa forma.

 

A imagem contou com mais 551 mil curtidas.

 

Recentemente, Tati Zaqui está promovendo sua nova marca de roupas, a ‘Julgue Me’. E para divulgar seus looks, a funkeira publicou um vídeo nessa terça-feira (12) que deixou os fãs apaixonados.

 

Veja também

 

 





 

 

 


 






 

 


Fotos: Reproduções

 

 

Fonte: Metropolitana

Cientistas revelam substâncias que diminuiriam probabilidade de morrer de COVID-19

 


Um estudo que dividiu pacientes com COVID-19 em quatro grupos revelou que um maior nível de ácidos gordurosos ômega-3 reduz a resposta inflamatória excessiva e consequente vulnerabilidade à doença.

Cientistas dos EUA descobriram que pessoas com um alto índice de ácidos gordurosos ômega-3 têm um risco significativamente menor de morrer de COVID-19 do que pacientes com um déficit desta substância, de acordo com um estudo publicado na revista Prostaglandins, Leukotrienes and Essential Fatty Acids.

Os pesquisadores do Instituto de Pesquisa de Ácidos Gordurosos, na Dakota do Sul, e do Centro Médico de Cedars-Sinai, na Califórnia, EUA, processaram os dados no software OmegaQuant Analytics, que agrupou 100 pacientes com COVID-19 em quatro grupos de acordo com o Índice Ômega-3 (O3I, na sigla em inglês, que mede o EPA, ou nível de ácido eicosapentaenoico, e o DHA, ou ácido docosaexaenoico).

Entre eles a equipe registrou 14 mortes, 13 das quais ocorreram no grupo com o menor índice de O3I, menos de 5,7%. Uma análise de regressão, ajustada para idade e gênero, mostrou que os que faziam parte desse grupo tinham quatro vezes maior probabilidade de morrer do que os com níveis mais altos de O3I.

"Embora este estudo piloto não atenda aos limites padrões de significância estatística, ele, juntamente com uma riqueza de evidências dos efeitos anti-inflamatórios dos ácidos gordurosos EPA e DHA, sugere fortemente que os ácidos gordurosos marinhos disponíveis podem reduzir o risco de resultados adversos na COVID-19", disse Arash Asher, autor principal deste estudo, ao portal EurekAlert.

Os cientistas creem que baixos níveis de ômega-3 podem estar ligados ao alto risco de morte por COVID-19, enquanto altos níveis preveem a presença de proteção contra variantes graves do curso da doença com liberação rápida de citocinas inflamatórias.

Eles atribuem isso ao fato de que esses ácidos gordurosos, encontrados no óleo de peixe, têm potente atividade biológica e efeitos anti-inflamatórios, atenuando a tempestade de citocinas, uma resposta inflamatória excessiva que é uma das principais causas de morte da COVID-19.