Bolsonaro já teria oferecidos cargos na Fundação Nacional de Saúde (Funasa) ao PSD e no Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE) ao PP, enquanto negocia com outros líderes do centrão
Em seu levante contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Jair Bolsonaro está recorrendo às práticas da velha política das quais foi íntimo durante quase três décadas de Congresso.
Acusando o deputado de se unir ao governador João Doria (PSDB) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) no planejamento de um golpe contra ele, Bolsonaro está oferecendo cargos a líderes dos partidos do Centrão para esvaziar o poder e desgastar Maia.
De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, Bolsonaro já teria oferecidos cargos na Fundação Nacional de Saúde (Funasa) ao PSD e no Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE) ao PP, enquanto negocia com outros líderes do centrão.
Nos últimos dias, aumentou o périplo de lideranças partidárias no Planalto. Nesta sexta-feira (17), ao lado do ministro Walter Braga Netto, da Casa Civil, Bolsonaro recebeu o líder do Republicanos, Jonathan de Jesus (RR), o líder do PL, Wellington Roberto (PB), e o do PP, Arthur Lira (AL).
Bolsonaro já havia se reunido com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), o presidente do Republicanos e primeiro vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (SP) e planeja encontrar Gilberto Kassab, do PSD.
Nelson Teich e Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR)
"Se você se prepara demais, se estrutura demais e amanhã sai um tratamento, você fez um investimento enorme desnecessário", disse o novo ministro da Saúde de Bolsonaro em videoconferência a investidores do setor sobre o coronavírus
Em um videoconferência com investidores da área da saúde no último dia 7 de abril, no canal Oncologia Brasil, no Youtube, o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, fala sobre o cenário de “incertezas” em relação ao coronavírus e alerta que se houver uma grande “estruturação” agora, isso pode resultar em um “investimento desnecessário” caso haja um tratamento para a cura da doença.
“Se você se prepara demais, se estrutura demais e amanhã sai um tratamento, você fez um investimento enorme desnecessário”, disse.
O ministro cita como exemplo a compra de respiradores, que são essenciais para o tratamento de pacientes com Covid-19 nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) e tem provocado uma corrida para a aquisição do equipamento na China.
“O exemplo que estou te dando agora é o seguinte: a gente estava conversando lá com o pessoal… Essa compra de aparelhos, de insumos, tudo isso. Se você comprar tudo para todo lugar ao mesmo tempo é um volume de dinheiro muito maior que se você tivesse parado para comparar a evolução dos diferentes países do Brasil e fosse remanejando. Porque, por exemplo, hoje você tem um número de ventiladores mecânicos que você precisa, aí de repente você dobra a sua quantidade de ventilador mecânico. O que você vai fazer com isso depois?”, indaga Teich, em uma análise claramente econômica do combate ao coronavírus.
“Então, você tem um planejamento do que vai acontecer depois. Você faz para o agora e tem que se preparar para as consequências do que fez hoje. E isso envolve investimento em equipamento, material humano, tudo isso. Então, eu se eu tivesse nessa posição, minha linha seria em que investir. Porque o gestor, ele não tem obrigação, o papel dele não é acertar o que vai acontecer. O gestor tem que mapear os possíveis cenários e estar preparado para todos eles idealmente, mesmos os mais prováveis, como são situações catastróficas como da Covid”, disse.