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terça-feira, 30 de junho de 2020

Superterras recém-descobertas perto do nosso Sistema Solar podem abrigar vida



Uma equipe internacional de cientistas encontrou dois planetas próximo da zona habitável de uma estrela que está localizada perto do nosso Sistema Solar.

Ambos os planetas orbitam próximo da zona habitável de GJ 887 ou Gliese 887, uma estrela anã vermelha com aproximadamente metade da massa do Sol, localizada a 11 anos-luz.
As superterras são planetas de massas superiores às da Terra, mas inferiores às dos gigantes de gelo, como Urano e Netuno. Os exoplanetas, ou planetas localizados fora do nosso Sistema Solar, foram apelidados de Gliese 887b e Gliese 887c.
Os dois planetas com existência confirmada foram classificados como superterras, pois possuem entre quatro e sete vezes mais massa que o nosso planeta. Ambos foram detectados através do Buscador de Planetas em Velocidade Radial de Alta Precisão (Harpa, na sigla em inglês), instrumento do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile.
Ao contrário de outras anãs vermelhas, esta estrela tem pouco pontos estelares e é menos ativa, ou seja, os planetas recém-descobertos têm mais chances de reter sua atmosfera, tornando as condições de vida mais reais.
"É a melhor estrela em proximidade com o Sol para entender se seus planetas possuem atmosfera e vida [...] O GJ 887 é emocionante, pois a estrela central é muito calma. Essa é a parte excepcional", afirmou a pesquisadora Sandra Jeffers à revista Nature.
Além disso, o estudo indica que os pesquisadores também encontraram evidências de um possível terceiro planeta mais distante da estrela hospedeira, que possui uma órbita de aproximadamente 50 dias e pode ter uma temperatura superficial adequada à água líquida, e consequentemente, à vida.
"Esses planetas fornecerão melhores possibilidade para estudos mais detalhados, incluindo a busca pela vida fora do nosso Sistema Solar", afirmou Jeffers.

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Geoquímicos resolvem mistério da crosta que desaparece nas profundezas da Terra



A crosta oceânica da Terra forma-se quando a rocha do manto derrete perto de fissuras de placas tectônicas nos cumes vulcânicos submarinos, produzindo basalto.

Contudo, muitos dos fenômenos que acontecem por baixo dessa crosta permanecem um mistério para a ciência, incluindo o destino das seções que retornam às camadas mais profundas da Terra.
Uma equipe de geoquímicos da Universidade Estadual da Flórida descobriu pistas importantes sobre onde essas rochas estariam escondidas.
Em estudo publicado na revista Science Advances em 26 de junho, os pesquisadores forneceram novas evidências de que, embora a maior parte da crosta terrestre seja relativamente nova, uma pequena porcentagem é constituída por pedaços antigos que haviam "afundado" há muito tempo no manto e que depois reemergiram.

Crosta reciclada

Os geoquímicos também apuraram - com base na quantidade dessa crosta "reciclada" - que o planeta vem sacudindo a crosta consistentemente desde sua formação há 4,5 bilhões de anos, fato que contradiz as teorias dominantes.
"Da mesma maneira que o salmão volta para desovar ao local onde nasceu, alguma crosta oceânica retorna a seu local original, as cristas vulcânicas [submarinas] onde a crosta fresca nasce", afirmou o coautor Munir Humayun, citado pelo portal Phys.org.
"Utilizamos uma nova técnica para mostrar que este processo é essencialmente um circuito fechado, e que a crosta reciclada é distribuída de forma desigual ao longo dos cumes", explicou Munir.
A crosta oceânica da Terra é formada quando a rocha do manto derrete perto de fissuras entre placas tectônicas ao longo de cumes vulcânicos submarinos, produzindo basalto.
À medida que a nova crosta se forma, ela empurra a crosta mais antiga para longe dos cumes, em direção aos continentes, como uma esteira rolante super lenta, eventualmente atingindo as denominadas zonas de subducção, onde é empurrada sob outra placa e "engolida" de volta às camadas inferiores da Terra.

Crosta subduzida

Os cientistas há muito tempo que teorizam sobre o que acontece com a crosta subduzida após ser reabsorvida no ambiente quente e de alta pressão do manto do planeta.
Essa crosta pode afundar mais profundamente no manto e ficar ali, subir de volta às camadas de superfície ou rodopiar através do manto.
Alguma dessa crosta pode também se erguer, refazer-se nos cumes do meio do oceano e formar novas rochas para mais um passeio de um milhão de anos no fundo do mar.

© CC0 / PIXABAY
Lava (imagem ilustrativa)
Os cientistas já se tinham confrontado com indícios que apontavam nesse sentido, pois alguns basaltos coletados nas cordilheiras do meio do oceano – os basaltos enriquecidos – tinham uma porcentagem mais alta de certos elementos que tendem a se infiltrar no manto derretido a partir do qual o basalto é formado. Outros, os chamados empobrecidos, tinham níveis muito mais baixos.
Para esclarecer o mistério da crosta que desaparece, a equipe analisou quimicamente 500 amostras de basalto coletadas em 30 regiões de cumes oceânicos. Alguns eram enriquecidos, outros empobrecidos e os restantes estavam no meio.
A equipe descobriu que as proporções relativas de germânio e silício eram menores em derretimentos de crosta "reciclada" do que no basalto "virgem" que emergia da rocha derretida do manto.

Nova técnica desvenda mistério

Recorrendo a uma nova técnica por eles próprios desenvolvida e com recurso a um espectrômetro de massa, os geoquímicos lograram identificar uma impressão digital química distinta para a crosta subduzida.
Foi o primeiro passo para os autores do estudo poderem identificar as diferenças claras entre basaltos enriquecidos e empobrecidos.
A equipe detectou taxas mais baixas de germânio e silício em basaltos enriquecidos - a impressão digital química de crosta reciclada - em todas as regiões onde coletaram amostras, resolvendo o mistério da crosta que desaparecia.
Aprofundando os dados, os pesquisadores conseguiram calcular que cerca de 5 a 6% do manto da Terra é feito de crosta reciclada.
A ciência não desconhecia que a Terra produzia crosta na proporção de alguns centímetros por ano. Mas que o fazia de maneira consistente ao longo de toda a sua história era desconhecido.
Ou seja, "as taxas de formação de crosta não podem ter sido radicalmente diferentes do que são hoje, o que não é o que todos esperavam", concluiu Humayun.

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Ganhador de Nobel de Medicina explica maneira certa de respirar em meio à COVID-19



Louis Ignarro, ganhador do Nobel de Medicina de 1998, explica a importância de inalar pelo nariz e expirar pela boca no combate a infecções virais.

As cavidades nasais produzem óxido nítrico (fórmula química NO), um gás incolor e solúvel que aumenta o fluxo sanguíneo através dos pulmões e eleva os níveis de oxigênio no sangue, possuindo igualmente poderes antivirais.
Em um artigo publicado no Science Alert, Louis J. Ignarro, professor de farmacologia molecular e médico da Universidade da Califórnia (EUA) explica por que é fundamental respirar pelo nariz durante a pandemia.
Ignarro foi um dos três farmacologistas ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina de 1998 por descobrir como o óxido nítrico é produzido no corpo e como funciona.

Papel do óxido nítrico

O NO é uma molécula de sinalização generalizada que desencadeia muitos efeitos fisiológicos, sendo também utilizado clinicamente como gás para dilatar as artérias pulmonares em recém-nascidos com hipertensão pulmonar.
"O NO é produzido continuamente pelo trilhão de células formadoras do revestimento interno ou endotélio, dos 160.000 quilômetros de artérias e veias em nossos corpos, especialmente nos pulmões", escreve Ignarro.
Outros tipos de células do corpo, incluindo glóbulos brancos circulantes e macrófagos de tecido, produzem óxido nítrico para fins antimicrobianos, prosseguiu Ignarro em seu artigo.

Como NO mata vírus

Em um estudo in vitro realizado em 2004 durante o surto de SARS, o NO aumentou a taxa de sobrevivência de células de mamíferos com núcleos infectados pelo vírus.

© REUTERS / SERGIO MORAES
Homem caminha em frente a grafite retratando profissional de limpeza de máscara espalhando coronavírus
Tal fato apontava que o óxido nítrico tivesse um efeito antiviral direto. Em um pequeno estudo clínico também realizado em 2004, o NO inalado foi eficaz contra o SARS-CoV em pacientes gravemente doentes com pneumonia.
coronavírus SARS, que causou o surto de 2003 e 2004, compartilha grande parte de seu genoma com o SARS-CoV-2, o coronavírus causador da doença COVID-19, indiciando que a inalação de óxido nítrico poderia ser eficaz no tratamento de pacientes com COVID-19.
O uso de inalação com NO está atualmente sendo alvo de testes clínicos para tratamento de pacientes com COVID-19.
Pesquisadores esperam que três propriedades características do NO possam ajudar a combater a infecção: a dilatação das artérias pulmonares e consequente aumento do fluxo sanguíneo através dos pulmões; o fato de dilatar as vias aéreas, aumentando o suprimento de oxigênio para os pulmões e sangue e, finalmente, matar ou inibir diretamente o crescimento e a propagação do coronavírus nos pulmões.
"De fato, vários testes clínicos de inalação de NO em pacientes com COVID-19 moderada a grave e que precisam de respiradores, estão atualmente em andamento em várias instituições. A esperança é que o NO inalado seja uma terapia eficaz e diminua a necessidade de respiradores e leitos nas UTIs", escreveu o professor.
O NO produzido na cavidade nasal é quimicamente idêntico ao utilizado clinicamente por inalação. Assim, quando respiramos pelo nariz, a substância vai diretamente para os pulmões, onde aumenta o fluxo de ar e sangue e mantém os microrganismos e as partículas de vírus distantes.

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